Carol Ribeiro: gata.com.br

Aos 33 anos, a top paraense continua brilhando como supermodelo. Agora, o desafio da também apresentadora é fazer sucesso com licenciamento de produtos e conquistar o público da internet

Por Cibele Carbone
Fotos Renan Cristofoleti
Styling Myrna Nascimento
Coordenação Sidney Osiro
Make/hair Fábio Nogueira
Tratamento de Imagem Edson Guberovich

Dona de uma beleza bem brasileira, a top model internacional Carol Ribeiro continua na ativa. “Claro que meu ritmo diminuiu, mas viajo muito para o exterior para fotografar catálogos de moda”, conta a musa do estilista Tom Ford, que a apontou como sua queridinha quando estava à frente da Gucci. Foi justamente nessa época, quando ela ainda tinha 20 anos, que Carol ganhou fama no mundo inteiro. Atualmente, mora no Brasil e concilia a concorrida agenda de top com as atribuladas funções de empresária (na área de licenciamento de produtos com o seu nome), apresentadora (está trabalhando no projeto de um novo programa na TV) e mãe (Carol, casada há 16 anos com o empresário Paulo Rego, é mãe de João Pedro, 9). Diz estar numa excelente fase profissional e pessoal. “Agora, meu objetivo é fazer a manutenção de tudo o que conquistei até agora”, diz a top, que ainda encontra tempo para atualizar seu blog (http://blogcarolineribeiro.blogspot.com.br/) e postar fotos no Instagram.

Você foi uma das tops brasileiras de mais sucesso da sua geração. Como foram esses anos no universo da moda? Muitos desafios, muita alegria?

Acho que esse lance do sucesso acontece muito de você ter um padrinho, alguém que acredite em você. Uma das pessoas que apostou em mim foi um produtor de desfiles que me levou para o Tom Ford. Passei a fazer as provas de roupa para ele, estar nos desfiles e aí começou aquela coisa de as pessoas perguntarem “Quem é aquela modelo nova no desfile da Gucci?” Mas aí eu já tinha 19 anos e comecei a carreira com 15… O começo foi bem difícil. Depois vivi anos excelentes, cultivei ótimas amizades, com a Ana Claudia Michels, a Talytha Pugliese, a Mariana Weickert… Foram três anos batalhando até começar a brilhar… Pois é… Mas costumo dizer que as coisas foram demoradas, mas rápidas ao mesmo tempo. Fui para Nova York depois de três anos de carreira e, quando cheguei, não consegui trabalho. Só depois de muitos nãos apareceu um sim… E foi logo na primeira coleção. O lado bom é que a gente acaba aprendendo a lidar com os “nãos” e nos tornamos nossa própria psicóloga. Depois de cada não, eu sempre parava para analisar o porquê da coisa e compreendendo que o trabalho não era para o meu perfil, esse tipo de coisa. Isso ajuda a não desanimar.

Muitas modelos não se achavam bonitas quando crianças porque eram muito magras e altas. Você também?

Eu era muito alta para os padrões de Belém… Mas não lembro de passar por grandes dramas. É claro que tinha algumas encanações típicas dos 15 anos – não usava salto por me achar muito alta, tinha a roupa certa para sair que não me deixava tão magra…

Como surgiu o convite para virar modelo?

Eu fazia balé e, um dia, um produtor de Belém me convidou para participar do concurso da Elite Models. Fiz a etapa de Manaus, vim para São Paulo competir no Elite Models Brasil, passei para a etapa mundial e fui para a Coreia, mas não fui classificada… Só que aí já embarquei para o Japão e comecei a fazer um trabalho atrás do outro.

Por que acha que ainda é muito requisitada para trabalhar mesmo com 33 anos?

Eu costumo dizer que não existe o “Ah, parei.” Enquanto as pessoas me chamarem para trabalhos, continuo. Eu só acho que a carreira de modelo termina cedo dependendo das escolhas que a pessoa faz e como cuida da sua imagem.

Em que momento decidiu ir para TV?

Eu estava voltando de Nova York e apareceu um casting na MTV. Passei e comecei a apresentar um programa de namoro, que durou um ano. Depois fui para Nova York para fazer o IT MTV, que tinha um formato diferente, era na rua e com entrevistas só de gente nova da área de música, cultura, artes… Depois o programa passou a abordar mais o universo da moda. No ano passado, voltei a viajar pela América do Sul com o IT para mostrar a história de pessoas e locais diferentes. Essa é a parte que eu mais gosto, a de fazer esse garimpo de gente interessante.

Como foi, de repente, se ver com um microfone na mão, falando com milhares de jovens?

No primeiro ano fiquei nervosa porque o programa era eu, ali, sem roteiro algum… Depois fui me acostumando. Agora, quanto ao fato de falar com jovens, acho que temos de ser o mais natural possível, falarmos a nossa verdade. Eu sempre buscava personagens interessantes para mostrar para os jovens, o IT tinha a missão de mostrar coisas boas.

O seu contrato com a MTV acabou no final do ano passado. Está negociando um novo programa?

Tenho um projeto meu para a TV e estou correndo atrás para que dê certo e estreie no ano que vem. Mas também estou investindo na área de licenciamento de produtos. Já tenho uma linha de semijoias com o Hector Albertazzi e participei de tudo, até do design das peças. Agora vou lançar, em breve, uma coleção de sapatos e estou participando de todo o processo para que os produtos fiquem com a minha cara.

Agora que você é praticamente uma empresária da moda, como vê o momento atual da moda brasileira?

Eu vejo que o mercado está crescendo e com mais oportunidades. Mas a grande dificuldade que escuto é que aqui no Brasil a gente não tem grandes magazines, como a Macy’s ou a Harrod’s, para revender as grifes. Aqui, as marcas têm de ter suas próprias lojas para levar o produto aos clientes, o que torna tudo mais difícil. Agora, capacidade, material, mente e criatividade, o Brasil já tem. O que falta é o mercado estar pronto para absorver tudo isso. Mas acho que essas mudanças só vão acontecer a longo prazo.

Você é uma pessoa fanática por compras?

Já fui muito consumista, adorava comprar bolsas e sapatos.

Lá pelos meus 19 anos, quando fazia todos os desfiles, eu comprava muito. Hoje, sou bem mais comedida.

Sei que você é ligada nas mídias sociais. O que acha dessa febre de looks do dia nos blogs, no Instagram…

Eu tenho um blog, mas só coloquei umas duas vezes o look que estava usando no dia – quando fui ao escritório e o pessoal de lá tirou a foto para postar. O incrível é que esses foram os posts de mais acesso até hoje. Para mim, esse lance de ver o que as pessoas estão usando, que todas estão com a mesma bolsa, o mesmo sapato, gera um efeito contrário do que na maioria das pessoas. Eu acabo deixando de querer aquele acessório porque tá todo mundo igual.

Mas as meninas querem ser iguais às blogueiras…

É como na televisão, as pessoas querem comprar aquilo que elas estão vendo. Eu acho válido tudo isso porque a moda real acaba tendo mais espaço e as roupas ficam mais acessíveis com o surgimento do fast fashion. As leitoras gostam dos looks do dia porque é como se fosse um editorial de moda, só que virtual e com pessoas reais. Isso acaba gerando uma identificação mais fácil da mulher com a blogueira. Agora, a única coisa que acho uma pena aqui no Brasil é que todo mundo ainda se veste muito igual, coisa que não acontece em Londres e Nova York, por exemplo. Lá, as pessoas conseguem passar a sua identidade pela roupa.

Por falar em internet, você é daquelas mães que vigiam o que filho vê na rede?

Claro, eu fico de olho. Mas o João não é um menino muito ligado na internet. Ele tem Instagram e Facebook, mas sou eu quem cuida. Ele também não aceita ninguém sem eu ver. Não dá para proibir esse tipo de coisa porque todos os amigos dele também estão no mundo virtual.

Como é sua relação com o João? Ele já tem noção de que a mãe é mundialmente famosa?

A gente é muito grudado, fazemos tudo junto – eu, o João e o Paulo. Por outro lado, ele já está naquela idade em que não pode nem dar beijo ou tchauzinho na porta da escola. Quanto ao fato de ser famosa, ele não tem muita noção disso, é bem tranquilo. As amiguinhas do João é que são mais ligadas e falam que me viram em tal lugar, num programa de TV. Mas acho que essa relação que a criança tem com a fama depende muito de como o adulto age, é a gente que define como eles vão lidar com isso.

Você já conquistou tudo o que as pessoas costumam desejar: uma carreira de sucesso, um casamento feliz e um filho maravilhoso. Qual o seu grande sonho agora?

Ah, é conseguir fazer a manutenção disso tudo. Quero ser cada vez mais feliz, fazer novos trabalhos… O foco é esse, não deixar a roda parar de girar!