Luxo sem paredes

Moradia ideal para solteiros endinheirados ou executivos que querem serviços premium, os lofts na capital paulista são sinônimos de glamour e se mantêm em alta há muitos anos. Nos bairros mais nobres da cidade, o metro quadrado chega a custar R$ 15 mil. Em entrevistas a GW Business, o arquiteto Rogério Perez e o diretor de vendas da Coelho da Fonseca, Fernando Sita, falam sobre a febre dos lofts.

Os lofts surgiram nas regiões industriais de Nova York na década de 60 e encantaram os artistas plásticos. As construções – antigas fábricas ou galpões transformadas em moradia – eram perfeitas por sua amplitude, pé-direito alto e vãos livres. Ateliê, quarto, sala, banheiro e cozinha se confundiam num mesmo salão. Os espaços eram, então, uma opção barata de moradia e de trabalho em zonas degradadas. Nos anos 70, com a revitalização dessas áreas, os lofts viraram moda e encareceram. Em Manhattan, os menores lofts de West Village (de 55 a 78 m²) chegam a custar entre U$ 800 mil e 1,9 milhão. No Brasil, o metro quadrado é cerca de 20% mais caro que o de um apartamento convencional de mesma localização.

E o conceito de ambientes integrados, sem paredes, foi adaptado a ourtros tipos de imóvel. Alguns arquitetos dizem que o que se faz por aqui são ambientes “loftados”. Afinal os espaços não surgem de fábricas nem galpões desativados. O que se veem são construções de pé-direito duplo e grandes janelas em que a área social se confunde com a de serviço e a ala íntima, quarto e banheiro, ficam resguardados num mezanino. “Além de o espaço físico não ser proveniente de antigos armazéns, o Brasil não conseguiu criar um bairro totalmente preparado para servir a essas moradias, como aconteceu no Soho, em Nova York, por exemplo. Lá, tudo foi pensado para esse público moderninho, as lojas ao redor, os restaurantes”, explica o arquiteto Rogério Perez.

Mas independentemente do estilo ser seguido à risca ou não, esses imóveis também fazem sucesso aqui. Morar num loft é sinônimo de glamour e contemporaneidade. “As pessoas que nos procuram são descoladas e querem mais do que uma casa, uma casa com serviço de hotel”, afirma Fernando Sita, diretor geral de vendas da Coelho da Fonseca Empreedimentos Imobiliários.

Não é à toa que esse serviço tem um preço. E alto. Os melhores lofts de São Paulo estão localizados em regiões nobres, como Vila Nova Conceição, Vila Olímpia, Itaim Bibi e Jardins, e chegam a valer R$ 15 mil o m². Para os
que preferem alugar, os preços começam em R$ 3,5 mil por mês, dependendo do bairro e da metragem. Para se ter uma ideia, um loft no Jardim América de 85 m² sai em média R$ 7 mil por mês, enquanto um em Moema, de 45 m², sai por R$ 4,3. “Como de uns anos para cá as construções novas ficaram estagnadas, os usados não ficam vagos.

Quem está em busca de um loft são solteiros em geral, homens e mulheres, e um novo perfil de cliente, o executivo residente em outras cidades que não quer ficar hospedado em hotéis ou flats. Ele quer uma casa, mas também
serviço”, explica Sita. Para Rogério, o perfil de clientes se estende a casais sem filhos que querem morar bem.

“Tudo num loft deve ser moderno e prático, porque assim são os seus moradores”.

Veja a matéria completa na revista Go’Where Business nº06.