Na onda dos musicais

Daniel Boaventura, veterano dos musicais, acaba de estrear o espetáculo A Família Addams, em São Paulo, e fala sobre a emoção de interpretar um dos personagens mais divertidos de sua carreira, o marido de Mortícia, Gomez Addams

Por Lilian Anazetti

Tudo começou com o lendário cartunista Charles Addams, há mais de 80 anos. Seu humor mórbido floresceu na revista New Yorker, em 1933, quando, aos 21 anos, passou a publicar cartoons de uma família cujas figuras góticas, mais tarde, ganhariam vida numa série de televisão: A Família Addams. Morto em 1988, Charles pôde acompanhar um pouco do sucesso de seus personagens mundo afora, na TV e no cinema. As esquisitices dessa excêntrica e bizarra família permanecem vivas no mundo do entretenimento até hoje e um musical, baseado nos personagens, seria inevitável. No ano passado, o espetáculo tornou-se uma das mais bem-sucedidas produções da Broadway, faturando mais de US$ 64 milhões nas bilheterias.

A estreia em São Paulo, este mês, reforça a importância que se vem dando aos musicais por aqui: o país é o primeiro fora dos Estados Unidos a fazer uma montagem de A Família Addams. “O brasileiro tem um talento natural para o teatro e a música. Então, juntou a ‘fome com a vontade de comer’. As nossas versões não devem nada aos originais ingleses ou norte-americanos e temos hoje um elenco excepcional, cada vez mais aprimorado”, analisa Boaventura, protagonista masculino da versão brasileira de A Família Addams, assinado por Claudio Botelho. No elenco, Daniel e Marisa Orth dão vida ao irresistível casal Mortícia e Gomez Addams. Laura Lobo encarna a filha Wandinha e Nicholas Torres apronta todas no papel do filho Feioso. Já Iná de Carvalho é a Vovó Addams, Claudio Galvan é Fester, e Rogério Guedes faz o mordomo Tropeço. A história gira em torno de um verdadeiro pesadelo para todos os pais: conhecer o namorado da filha. Wandinha Addams, a última princesa das trevas, tem um namorado “normal” e vai levá-lo para jantar em casa. “O espetáculo tem muito humor, o texto é muito bom, então o público pode esperar se divertir bastante”, diz Marisa Orth, estreando em musical. “Tem sido desafiante para mim e ao mesmo tempo estimulante. Fazer musical é muito difícil, exige demais do ator, é preciso técnica para aguentar as seis apresentações por semana. Tenho feito aulas de canto e fono porque resistência vocal é tudo. Fora isso, para compor a minha personagem, tive de controlar o riso. A Mortícia é cínica, sua voz é grave, impostada, seus gestos são contidos, bem diferente de mim,  que já chega chegando”.

Durante os dois meses de ensaios, os atores foram acompanhados pela equipe americana responsável pelo musical na Broadway. “É um espetáculo muito bem arquitetado, o elenco está primoroso e essa é a montagem mais dinâmica desde a original. O Gomez tem até três músicas a mais”, observa Daniel.

Leia a matéria completa na revista Go’Where n° 92