Amazônia, aí vou eu

Subir o Rio Negro em um barco-hotel e dormir em um lodge nas maiores floresta e bacia fluvial do mundo, ouvindo sons da mata, é uma experiência única e que todo mundo deve vivenciar, ao menos, uma vez na vida.

Por: Luciano Garcia

Nosso destino é o Arquipélago de Anavilhanas e o Parque Nacional do Jaú, no Alto Rio Negro – ambos considera-dos Patrimônio Natural da Humanidade – numa expedição de cinco dias promovida pela Katerre, organização de turismo ecológico e desenvolvimento sustentável. Saindo de Manaus, vamos pela estrada asfaltada até Novo Airão e subimos a bordo do barco-hotel, o Jacaré-Açu. Com 64 pés, é da categoria Regional-Premium, todo em madeira, seguindo as técnicas tradicionais amazônicas de construção, com oito camarotes climatizados. A partir de agora a civilização fica para trás, pois não tem mais sinal para internet e celular.

Fizemos nossa primeira expedição pelo Arquipélago de Anavilhanas em pequenos barcos rápidos, as chama-das “voadeiras”. São 400 ilhas, formando canais imensos, todas recobertas de florestas intocadas. Enquanto nave-gamos é possível avistar botos-tucuxis, botos-cor-de-rosa e aves da época, como maguaris, garças, araras-canindé, papagaios da várzea, japós e coloridas arirambas. Paramos no Mirante do Madadá, um bangalô de dois pisos, onde é servido nosso jantar e o café da manhã, apreciando a beleza do amanhecer. Depois de três horas de caminhada em floresta primária, chegamos às Grutas do Madadá, que, na verdade, são desvãos, que se formaram com o desmoronamento e rolagem de imensos blocos de pedra, numa época muito remota, acomodando-se umas sobre as outras.

Nosso outro destino, o Parque Nacional do Jaú, é o maior parque florestal de água doce do mundo composto por três rios – o Unini, o Carabinani e o Jaú – e uma infinidade de pequenos igarapés de águas escuras. É administrado pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade. Em razão do acesso nem sempre fácil, suas trilhas, cachoeiras e igarapés são turisticamente muito pouco explorados. Botos, macacos, preguiças, pacas e aves podem ser observados em pernoites na selva, ou do rio, próximo à hora do pôr do sol. No Par-que Nacional do Jaú, ancoramos na base do Instituto Chico Mendes. E logo saímos numa caminhada para conhecer a grande árvore da Amazônia, a samaúna, conhecida como a “árvore da vida” ou “escada do céu”. Os povos da floresta consideram-na “a mãe” de todas as árvores. Suas raízes são chamadas de sapopemba. E como acontece com tantas outras árvores, a samaúma também faz parte da medicina popular: tanto sua seiva quanto sua casca são utilizadas para curar diversos males. Também visitamos o Mirante do Gavião Lodge, às margens do Rio Negro, em frente ao Parque Nacional de Anavilhanas. Uma obra-prima de conforto e sustentabilidade, onde passamos nossa última noite. Dispõe de sete espaçosos ban-galôs erguidos em madeira de lei que remetem à forma de barcos invertidos, e design interior que incorpora os materiais da floresta: revestimentos em teçume de fibras naturais, mobiliário de madeira nobre com detalhes em marchetaria, cestarias e outras belas peças de artesanato regional. Espalhados na parte alta do terreno, os ban-galôs são conectados por passarelas até a parte baixa, onde está a moderna piscina e a enorme cobertura que abriga o Restaurante Camu Camu, com menu que destaca os ingredientes amazônicos e seus peixes raros, em receitas criativas.

Agradecimento: Expedição Katerre (www.katerre.com)