Me aqueça neste inverno

Um salão aconchegante, uma recepção calorosa, uma comida quentinha, uma receita substanciosa. Eis a fórmula que faz as pessoas saírem de casa em dias de frio na busca pelos clássicos pratos de inverno típicos de diversos países.

Por: Mariana Galante  

Cassoulet | Chef Alain Poletto Bistrot de Paris

São muitos os pratos de inverno na França, mas o chef Alain Poletto, nascido em uma pequena cidade da região dos Alpes, é quase uma autoridade no assunto com seu cardápio em que brilham raclettes, tartiflettes e fondues. Já conhecido por aqui como ‘primo da feijoada’, o robusto Cassoulet entrou no menu da casa – localizada numa simpática vila na Rua Augusta – no inverno passado. E veio para ficar. “Original do sudeste francês, era um prato para alimentar os soldados, os guerreiros, os lutadores”, explica o chef Poletto. A receita histórica leva feijão branco (bastante típico daquela região), chouriço, linguiça, bacon, coxas de pato confitadas e diversos temperos. Para brincar com a apresentação e fazer a ponte com a nossa feijoada, o chef o serve acompanhado de couve e laranja.

Micaela | Chef Fábio Vieira Canjiquinha de Lagostim 

Bisavó do chef Fábio Vieira, Micaela dá, além do nome, leves pitadas espanholas no pequeno e gracioso restaurante de comida brasileira. Prato típico mineiro e enorme sucesso em dias de frio, a Canjiquinha de Lagostim com Linguiça é o xodó do cozinheiro. À base de milho triturado, “é uma versão mais leve de uma receita bem robusta feita pela avó da minha esposa que a gente sempre comia no inverno, mas tinha aquela pegada bem mineira de ingredientes mais pesados. Meu desafio foi fazer uma versão mais simples, mais leve, mas que ainda fosse um prato bom de aconchego, que se tornasse insubstituível na cabeça das pessoas”, conta o chef. O prato tem ingredientes de terra e mar. A linguiça é levemente apimentada e o lagostim chega fresquinho duas vezes por semana. O tomate triturado e o chá de capim santo entram para calibrar o conjunto com um toque de acidez e frescor que dão personalidade à canjiquinha

Nino Cucina | Chef Rodolfo de Santis Pasta Arrabbiata

Sucesso desde sua abertura, no ano passado, a casa une um ambiente descontraído, e ao mesmo tempo sofisticado, a uma cozinha de pratos italianos modernizados pelo talento das mãos do chef Rodolfo De Santis, nascido na região da Puglia – e com vasta experiência em restaurantes de sua terra natal. No cardápio desde a inauguração a pasta Arrabbiata traz cavatelli, pomodoro fresco, polvo e peperoncino. É um prato em que a sensação de calor vem dos temperos. “Brasileiro adora alho e pimenta, então é um prato que acaba sendo muito pedido o ano inteiro”, conta  sub-chef Tuca Mezzono. Ele conta que o polvo é entregue fresco três vezes por semana e vem principalmente do litoral de Santa Catarina. Uma boa sugestão para finalizar na mesma temperatura é a torta de chocolate della nona.

Jo Jo Ramen | Chef Thyago Anasawa Shoyo-Hossomen

Muito comuns no Japão, os lámen-ya são restaurante especializados em servir essas robustas cumbucas de massa ensopada. O lámen-ya existe de todo tipo e preço, mas, de maneira geral, são casas simples e informais em que as pessoas do próprio bairro param para matar a fome e se aquecer. Verdadeira ‘comida de alma’ esse prato é justamente o símbolo da moderna ‘japanise soul food’. Depois de muita pesquisa, a empresária Simone Xirata decidiu abrir em São Paulo esse pedacinho de Tóquio, com um cardápio enxuto e saboroso de massas de fabricação própria, fruto da habilidade do chef Takeshi Koitani, dono de dois restaurantes de lámen por lá. Um dos destaques é  Shoyo-Hossomen, que leva fatias de chashu, menma, cebolinha, folhas de nori, hanjuku tamango. Para sair ainda mais aquecido, o segredo é beber o forte caldo até o final.

Fuentes | Puchero

Em funcionamento desde a década de 1960, o restaurante espanhol no centro da cidade fundado por Severino Fernandez hoje é comandado por seus netos. Dentre seus muitos clássicos para aquecer o estômago, está o famoso Puchero, cozido típico que leva batatas, repolho, grão-de-bico, couve, carne bovina, frango, lombo, costela suína, linguiça e bacon. De origem espanhola, a receita foi difundida em inúmeros países por conta da colonização e se apresenta em diversas versões – como a montañesa, a andina, a rioplatense e a andaluz, por exemplo. Por ser um preparo demorado, o prato não é servido todos os dias. É preciso ligar para confirmar com antecedência.

Tasca da Esquina | Chef Vitor Sobral Cozido à Portuguesa

Em Portugal, cada região tem suas receitas específicas, mas o tradicional Cozido à Portuguesa é feito em todo o País. O Tasca usa a versão da região de Lisboa, mas apenas para grupos a partir de oito pessoas e com reserva feita com uma semana de antecedência – pois não é um prato que conste do cardápio. A preparação traz cenoura, nabo, repolho, vagem, grão de bico, batata, costela bovina, toucinho, chouriço português, costelinha e outros embutidos artesanais. “Encomendamos nossos embutidos de um senhor português que mora em Minas Gerais. Ele mesmo é quem faz e são os melhores que já provei”, orgulha-se o chef Luís Espadana, que comanda a cozinha cujo cardápio é assinado pelo estrelado chef português Vitor Sobral.


SERVIÇO

Bistrot de Paris
R. Augusta, 2542 – Tel. 3063-1675

Fuentes
R. do seminário, 149 – Tel. 3228-1680

Micaela
R. José Maria Lisboa, 228 – Tel. 3473-6849

Nino Cucina
R.Jerônimo da Veiga, 30 – Tel. 3368-6863

Jo Jo Ramen
R. Dr. Raphael de Barros, 262 – Tel. 3262-1654

Tasca da Esquina
Al. Itu, 225 – Tel. 3141-1149