Quem faz as novas joias do desejo

Cada uma com seu estilo, essas designers conquistaram seu espaço no concorrido mercado nacional de joias.

Por: Cibele Carbone

CAROL KAUFFMANN Paixão pelas pedras preciosas

Desde pequena, Carol Kauffmann escutava os pais conversarem sobre pedras preciosas e joias. Nada mais natural que ela também ficasse fascinada por esse universo. Porém, mesmo apaixonada por joalheria, Carol decidiu trabalhar no mundo da moda, até que decidiu fazer um curso de ourivesaria. “Há dez anos, comecei a estudar a arte da joalheria e fui, pouco a pouco, me envolvendo cada vez mais com as maravilhosas e coloridas pedras brasileiras, e criando com elas minha primeira coleção”, relembra Carol.

Esse foi o pontapé inicial para uma bem-sucedida carreira. “Não senti dificuldade em mudar de área, pois continuei na parte de criação, que é o que gosto de fazer e onde me realizo”, comenta Carol, que busca inspiração na arte, da renascentista à contemporânea, para criar suas peças. “Mas a inspiração pode acontecer a qualquer momento em que você se emocione, com qual-quer coisa do dia a dia, como um belo arranjo de flores ou uma caixa antiga.”

Atualmente, as joias criadas por Carol são queridinhas dos stylists e podem ser vistas nas páginas das principais revistas de moda. Mas todo esse sucesso não veio de repente, foi preciso superar alguns obstáculos – como a instabilidade econôminca do País, para se tornar um dos nomes mais badalados da joalheria nacional. “Após a minha primeira coleção bem estruturada e planejada, comecei a exportar para os Estados Unidos e vender nas melhores e mais conceituadas joalherias, como a Bergdorf & Goodman. E foi aí que percebi que meu trabalho estava sendo reconhecido”, finaliza a designer.

DEBORA IOSCHPE Estrela autodidata

O acaso (e uma amiga!) foi o responsável por colocar Debora Ioschpe no mundo da joalheria. “Quando criança, gastava minha mesada com pedras semipreciosas. Depois, passei a fazer bijus. Por insistência de uma amiga, participei de um concurso de joias com ágata e tirei o primeiro lugar. Levei essa peça para a JCK Las Vegas, importante feira mundial de joias, e depois ela ficou exposta por três anos no museu da H. Stern. Nessa época, meu pai me deu dinheiro para eu comprar algumas pedras, pois as pessoas iam querer minhas peças. E assim começou esse capítulo da minha vida…”, relembra Debora, que passou a ler tudo sobre o assunto e fez de um livro sobre gemas seu fiel companheiro.

A antiga profissão – ela desenhava móveis e tinha um escritório de decoração – foi ficando de lado, aos poucos, e a carreira de designer de joias foi deslanchando rapidamente. “As pastas de clientes de decoração foram virando pastas de clientes de joias”, conta a designer, que fez curso de ourivesaria para entender melhor processo de criação das joias.

Famosa por suas máxijoias, Débora já conquistou os fashionistas no Brasil e, agora, sonha com reconhecimento no exterior. “Tenho planos de abrir um escritório no exterior e mostrar meu trabalho lá fora. Espero ter um lugar fixo e estar em muitas lojas na Europa e nos Estados Unidos.”

ANDREA CONTI Do virtual para o real

Ela é formada em Marketing pela ESPM, Administração pela FAAP e Ciências Contábeis pela UNIP. Não seguiu nenhuma dessas carreiras e decidiu perseguir seu sonho: desenhar joias. “Meu interesse por joalheria surgiu de pequena. Quando criança, ficava olhando minha mãe colocar suas joias, admirando a caixinha dela. Posso dizer que é um gosto familiar. Tradição, de mãe para filha”, conta Andrea Conti, que decidiu lançar sua marca em 2015. O background acadêmico é muito útil na vida da designer. “No meu trabalho, junto todas as minhas profissões. Sou empresária, lido com números e pessoas. Trabalho com o marketing e a divulgação da minha marca, me expresso e passo emoções. Todas as áreas são bem aproveitadas.”

Sinal dos tempos modernos, cerca de 80% das vendas da joias de Andrea são feitas via Instagram – ela conta com mais de 243 mil seguidores. Mas o sucesso da marca não é apenas no mundo virtual: famosas como Claudia Raia, Ivete Sangalo e Juliana Paes já se renderam ao talento de Andrea. Foi ela, inclusive, a responsável pela criação do anel de noivado da atriz Marina Ruy Barbosa. O motivo de tanto sucesso e de maneira tão rápida? Talvez a resposta seja porque Andrea entende o que as mulheres buscam ao usar uma joia e materialize isso em suas peças. “A mulher que usa uma joia sente-se mais bonita, poderosa, empoderada. Gosto de despertar essa sensação nas mulheres.”

ROBERTA DO RIO Amor à primeira vista

Assim Roberta do Rio define sua paixão pela joalheria. “Eu me matriculei em um curso de ourivesaria – e o que seria só uma experimentação de novos meios para trabalhos manuais foi arrebatador. Ao conhecer o processo, entendi que uma joia pede muito mais do que matérias-primas nobres. Ela pede alma e atenção a cada detalhe. É um trabalho de muita paciência, pensamento e dedicação”, explica a designer, que deixou de lado a carreira de estilista para lançar sua marca de joias. E, assim como uma paixão, ela se lançou de corpo e alma nesse desafio. O resultado foi satisfação imediata. “Adoro poder curtir cada momento e cada etapa do processo de criação de uma joia. Do encontro de uma pedra até a joia pronta, são tantos os passos, os desafios…”, revela Roberta, que não sente saudades da vida de estilista. “A moda me deixava um pouco nervosa, a rapidez, a efemeridade… Ela exige uma volatilidade muito grande, as coleções estão sempre sendo criadas anos à frente. Na joalheria, encontrei o tempo que precisava. Mesmo que esteja em constante processo de criação, me cobro de uma maneira diferente. A joia tem um toque de eternidade que me encanta, adoro pensar no fato de que minhas joias poderão acompanhar gerações.” E, se depender da designer, esse relacionamento com as joias vai longe.