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A nº1 da América

Roberta Sudbrack

Eleita pela revista britânica Restaurant como a melhor chef da América Latina na lista do “The World’s 50 Best”, Roberta Sudbrack mantém os pés no chão, ri da glamourização excessiva da profissão e está focada em seus novos projetos – incluindo a abertura de uma lanchonete no Leblon.

Eleita pela revista britânica Simpática, mas um pouco tímida, a chef gaúcha Roberta Sudbrack é a melhor chef da América Latina. Não que ela se ache isso. Quem decretou essa supremacia foi o júri do prêmio veuve Clicquot, formado por personalidades e profi ssionais da gastronomia, promovido pela Restaurant. Em 2013, outra brasileira levou o prêmio: Helena Rizzo, do restaurante Maní.“Procuro enxergar essas conquistas não como minhas, ou da minha equipe, mas dos meus clientes, do meu País, da minha cidade, do Rio de Janeiro. fico feliz, orgulhosa, honrada, sem dúvida”, diz Roberta.

Com 20 anos de cozinha, o restaurante homônimo da chef no Rio há dez anos é sucesso absoluto. No menu, uma cozinha afetiva e inventiva com destaque para os produtos nacionais. Com um food truck para chamar de seu, o Sud Truck, a chef teve como inspiração o início de sua carreira, quando servia cachorro quente pelas ruas de Brasília, até se instalar no Rio defi – nitivamente. formada em veterinária nos EuA, Roberta descobriu que sua paixão era mesmo a gastronomia. de malas prontas para a festa de premiação na cidade do México, a chef conversou com goWhere gastronomia.

GW: Como se sente a melhor chef mulher da América Latina?

RS: Fico feliz, mas sempre busco manter a cabeça no lugar e os pés no chão para saber lidar com o reconhecimento como algo desafi ador. Não como um lugar a que chegamos, mas como um longo caminho que ainda temos a percorrer, como uma parada para tomar um gole de água fresca, revigorante, mas que só mostra que ainda temos muito chão para lavar. Acho importante não nos desconectarmos nem um instante da verdadeira essência do nosso trabalho: somos o que somos porque sempre fi zemos o nosso trabalho com amor e coerência. Não devemos pautar nosso trabalho por prêmios, mas manter o eixo, pisar e sentir o chão e, acima de tudo, devemos todos os dias buscar a humildade que nos trouxe até aqui. Se você acha que já é o melhor, para que melhorar? Com o tempo você estagna.

GW: Com tantos compromissos, você consegue marcar presença no dia a dia do seu restaurante?

RS: Não abro mão disso. Minha cozinha é artesanal, feita com as mãos, inteligência e muito trabalho.Restaurante Roberta Sudbrack

GW: Como vê a glamourização da profi ssão de chef?

RS: É um grande equívoco pensar por esse lado. Ela simplesmente não existe! Na cozinha, a temperatura é bem quente e o trabalho é bem, bem duro! o dia a dia de um cozinheiro é assim. E o melhor teste de aptidão que encontrei para contratar novos profi ssionais é o meu Sudtruck. Se tem cozinheiro que sai da faculdade e não aguenta a rotina de uma cozinha profi ssional, imagine a rotina de um food truck? Hoje em dia todos os meus cozinheiros passam primeiro pelas minhas cozinhas móveis, antes de ingressarem no Roberta Sudbrack.

GW: Como define sua culinária?

RS: Nossa cozinha segue o ritmo das estações, nossos produtos são frescos. Exaltamos de forma moderna os sabores dos ingredientes brasileiros, valorizamos a sociabilidade e o convívio, com uma comida ritualizada e preparada com minúcia técnica. Propomos jantares para serem degustados sem pressa e queremos transmitir uma ideia de acolhimento, prazer e transcendência. Acho que essa lealdade que temos à nossa fi losofi a, desde que abrimos, é um desafi o. Nossa vida é dedicada ao prazer do nosso cliente e trabalhamos muito para isso, no Roberta Sudbrack Restaurante Av. Lineu de Paula Machado, 916. Jardim Botânico. tel: (21) 3874.0139 calor das temperaturas altíssimas dos nossos fogões, nas madrugadas agitadas, na pressão acima de qualquer limite, na adrenalina de um dia de trabalho, no cantar do pão quando sai do forno. Nunca divulgamos antecipadamente o menu do dia, que só é conhecido na hora do jantar, simplesmente porque essa defi nição depende do mar e da natureza, do que eles vão nos presentear naquele dia. Por isso, nosso cardápio não é fi xo e muda diariamente. desafi os diários há dez anos…

GW: Quais os chefs que admira?

RS: São tantos! E tanto da minha geração, quanto de uma anterior, até os jovens. E grande parte deles cozinhou ou cozinhará comigo no Roberta Sudbrack em 2015. Na comemoração dos meus 20 anos de carreira, e 10 do Roberta Sudbrack: Claude e tomas troigros, Helena Rizzo, tiago Castanho, Manu Bufara, Rodrigo oliveira, Atala, Paola Carosella, enfi m, são tantos.

GW: Quando vai a São Paulo, a meca da gastronomia no país, quais restaurantes costuma prestigiar?

RS: Mocotó, Maní, doM, Arturito. Entre outros.

GW: Alguma novidade, projeto em andamento, um novo restaurante talvez?

RS: Além do Sudtruck, em outubro inauguro uma lanchonete no Leblon, a ‘da Roberta’, só com sanduíches artesanais.

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