Conheça a cozinha do chef catalão Oscar Bosch

Nascido e criado na cidade portuária de Cambril, na Catalunha, o chef Oscar Bosch desponta com sua cozinha afetiva, na medida certa, no descolado Tanit.

Por: Shirley Legnani

“Gosto de tudo da culinária brasileira, da mandioquinha à feijoada”, diz o chef Oscar Bosch, declarando seu amor ao Brasil. Amor que o levou ao altar – o chef é casado com a confeiteira paulistana Anna Beatriz Dias, sua parceira também no Tanit,  restaurante que o chef, ao lado de dois sócios, abriu há alguns meses, no bairro do Jardins.

Bosch nasceu e cresceu na Catalunha, numa bela região portuária. Foi lá, desde pequeno, que o futuro cozinheiro se interessou pela gastronomia. Paixão muito influenciada por seus pais, donos do Can Bosch, restaurante com uma estrela Michelin. Aos 20 anos, Bosch ficou na dúvida se cursaria uma faculdade de Gastronomia ou se caía no mundo para aprender o o˛ cio na prática. A segunda opção prevaleceu e ele seguiu por vários países da Europa, a começar pela própria Espanha. Trabalhou em casas importantes, entre elas o atual número um do mundo, El Celler de Can Roca, em Girona, onde ficou por dois anos, passando também pelo célebre e hoje extinto El Bulli, de Ferran Adrià. “Queria realmente seguir o caminho da gastronomia e, em vez de estudar, resolvi cursar minha própria escola, ou seja, trabalhar. Descasquei muita batata, levei bronca, lavei chão e muitas panelas, até começar a cozinhar. Essa experiência me ajudou a saber que há, sim, uma hierarquia dentro da cozinha, e de que ela deve ser respeitada”, diz Oscar.

Ao Brasil, impulsionado pela esposa Bia, o chef chegou há pouco mais de seis anos. Aqui, passou pelos hoje extintos Eñe e FishBar. Em seguida, montou um bufê, o Cookme, que logo fez sucesso. “Sempre tive vontade de abrir meu próprio restaurante, mas preferi começar com um bufê, para sentir como era ser dono e administrador de algo – e também pelo investimento ser bem menor”, explica.

Deusa do mar

Após esse test drive como empreendedor, o casal Bosch se juntou a alguns sócios e abriu o Tanit – nome da deusa do Mar Mediterrâneo e de Ibiza. Logo ganhou elogios da crítica gastronômica e principalmente dos clientes. Resultado: o restaurante é um dos mais badalados da cidade. A boa cozinha do chef e o ambiente despretensioso são responsáveis por boa parte desse sucesso. “O Brasil está passando por uma situação di˛ cil. Abrir, ter e manter um restaurante é uma loteria, são vários os fatores para que ele dê certo ou errado. Coisas como serviço, localização, ambiente e menu. Acho que estamos acertando, indo no caminho certo”, diz Oscar.

Espanha e algo a mais

Mesmo com um cardápio cheio d e influências da culinária mediterrânea, a Espanha prevalece no Tanit. Mas nada daquela gastronomia molecular, inventiva e de pequenas porções. Bosch faz comida de verdade, daquelas que aquecem a alma e satisfazem os olhos e o paladar. “Apesar de ter trabalhado em casas um pouco mais modernas, como o El Bulli, eu não aplico essas técnicas na minha cozinha. Respeito, mas não as uso. O brasileiro, em geral, gosta de comer fartamente. Não que essa cozinha moderna, molecular, seja enganação, mas o brasileiro gosta de comer bem, então prefiro trabalhar com uma cozinha de sabor, de matéria-prima de qualidade”, define o chef.

Entre tapas e croquetas, há batatas bravas, gambas, polvo grelhado, leitão crocante e filet de Angus no menu da casa. O chef lançou algumas novidades para o verão, como o camarão ao alho e óleo, o gaspacho de vieiras e o refrescante sorbet de pepino. Das mãos da sra. Bosch saem uma deliciosa versão da famosa Torta San˝ ago (creme anglaise e sorvete de nata) e o Coulant, chocolate belga 70% e sorvete de fava de tonka. “Ainda vêm ai alguns lançamentos, tanto em serviços como no menu”, adianta o chef. Sobre as expectativas para 2017, diz: “Espero ter saúde e muito trabalho – tendo saúde se corre atrás do resto. Acredito que será um ano mais animado e bom pra todos. Quando escuto que um amigo fechou o restaurante, ° co muito triste, pois a gente se ajuda. Em relação ao Tanit, vamos melhorar a cada dia para que o serviço seja mais apurado”.

De ligação muito forte com a água, já que o chef nasceu perto do mar numa pequena cidade de 30 mil habitantes, Bosch lembra das tardes em que não tinha aula e ° cava junto aos pescadores ajudando-os com os peixes pescados do dia. “O mar é muito importante pra mim e isso se reflete no meu cardápio”. Perguntado como, na cosmopolita São Paulo, o chef mata essa saudade do mar, Oscar não titubeia. “Frequentemente, após o expediente de domingo, pego o carro e desço pro litoral paulista e volto só na segunda à noite”, responde, suspirando.

GAMBAS AL AJILLO

Ingredientes

• 7 camarões rosa grandes
• 1 pimenta dedo de moça
• 2 dentes de alho
• 3 col. de sopa de azeite de oliva
• Salsinha para decorar
• Vinho Jerez para flambar
• Sal e pimenta do reino a gosto

Modo de fazer

Descasque o alho e corte-o em lâminas finas. Em uma frigideira, jogue  azeite e em seguida os alhos, para que
eles sejam confitados lentamente. Aguarde até eles ficarem dourados – aproximadamente dois minutos – e retire da frigideira. Reserve.

Na mesma frigideira, sele os camarões, já limpos e temperados com sal e pimenta do reino, por aproximadamente dois minutos em cada lado. Acrescente o jerez para flambar os camarões, tomando cuidado com o fogo que subirá. Quando o fogo abaixar, acrescente pimentas dedo de moça cortadas em rodelas finas, o alho e a salsinha, picada em pedaços bem pequenos.


TANIT
Rua Oscar Freire, 145, Jardins – Telefone: (11) 3062-6385