Exclusivo: saiba qual é o sistema de café em cápsula do Brasil que faz o melhor cafezinho

Convidamos os principais fabricantes de máquinas de café em cápsula do mercado e degustadores de café profissionais para descobrir, num teste às cegas, qual cafeteira faz o melhor cafezinho.

Por: Leonardo Millen

Um dos itens mais buscados na Black Friday (8%) e um provável campeão de vendas de presentes para este Natal, a cafeteira de cápsula está em alta junto aos consumidores brasileiros. Os motivos são muitos. O café é uma das três bebidas mais consumidas em todo o mundo e o Brasil, que produz 40% do café mundial, é um dos maiores e mais assíduos consumidores da bebida. Faz parte da nossa cultura tomar ao menos um cafezinho diário. Com tanto apelo, uma máquina que faz cafezinhos individuais de forma rápida e prática é, obviamente, um objeto de desejo. No entanto, até um ano atrás, a média de preço de uma máquina de café em cápsulas – em torno de R$ 900 – assustava o consumidor. A média de preço baixou bastante, atiçando o mercado consumidor.

Isso aconteceu porque a Nespresso, pioneira na tecnologia de cafés em cápsulas, reinou por um bom tempo no mercado, mas, com a queda das patentes, viu surgir vários concorrentes num mercado global que movimenta US$ 10 bilhões. Atualmente, a estratégia dos novos fabricantes de máquinas para abocanhar uma fatia desse mercado é simples: fazer o seu formato próprio e tentar vender tanto máquina quanto cápsulas, por um preço mais acessível que da Nespresso.

A rapidez desse embate comercial foi tamanha que a Nespresso reposicionou seus preços para baixo e investiu em pulverizar seus pontos de venda e em mais propaganda – contratou até o astro hollywoodiano George Clooney para estrelar campanhas. Paralela-mente, fez dezenas de parcerias com produtores de cafés gourmet para lançarem cápsulas no seu formato, e investiu em máquinas que, além de cafés, fazem chás, cappuccinos, chocolates e afins. E instruiu a Nescafé, que é do grupo Nestlé e detém a “Dolce Gusto”, a fazer o seu formato próprio – mas a preços menores, como forma de superar os competidores com esse duplo apelo.

A concorrência, por sua vez, se mexeu em duas frentes: cada um lançou seu formato de máquina e ousou ainda mais na política de preços. Algumas cafeteiras de cápsula custam, hoje, 30% a 50% mais barato que no ano passado – uma estratégia que visa não só alavancar a venda de cada formato como também a das suas cápsulas exclusivas. O consumidor comemora ao ver os preços despencando e promoções incríveis, como fez a Delta, marca de formato fechado de cafés em cápsula de origem portuguesa, que entrou de sola no mercado nacional com a seguinte promoção: na compra de 140 cápsulas (a R$ 1,45 cada, ou seja, R$ 203) o consumidor ganhava a máquina de presente!

O teste

Em meio a esse embate comercial, persistia uma dúvida: afinal, qual dessas máquinas ou formatos faz o melhor café? Para chegar a essa conclusão, convidamos os fabricantes de cinco máquinas, com seus respectivos formatos, para um teste profissional. Eles trouxeram suas máquinas e seus melhores cafés em cápsulas próprias, em dois estilos: um de alto consumo e outro top, gourmet, para serem avaliados às cegas por degustadores profissionais
(provam sem saber quem é o fabricante), tal como se faz em degustações de vinhos. Assim, seria possível eleger o melhor conjunto máquina/formato/cápsula segundo critérios de qualidade do produto final, ou seja, do “cafezinho” final que o consumidor tanto aprecia. Todos estiveram reunidos numa tarde no simpático Otávio Machado Café e Restaurante, na Chácara Santo Antônio, que gentilmente cedeu seu espaço para o teste. Foram avaliadas as máquinas de Dolce Gusto, Delta, Illy, Nespresso e Três Corações e seus respectivos cafés, em cápsulas de linha própria. O time de degustadores profissionais foi formado por Gelma Franco, consultora e referência do setor de cafés especiais e proprietária do Il Barista Café; Isabela do Monte, representando a ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café), responsável pela preparação de testes sensoriais, classificadora e provadora profissional de café, e duas técnicas em alimentos e análise Sensorial do ITAL (Instituto de Tecnologia de Alimentos de Campinas), também provadoras profissionais do Sindicafé-SP (Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo): Karina Menegazzo e Camila Arcanjo.

O Campeão

Cada degustadora provou duas amostras de cada fabricante (um popular e um gourmet). Não foi pedido que elas elaborassem um ranking, apenas que escolhessem a amostra que se destacasse das demais nas duas categorias. Houve um consenso de que, independentemente do fabricante, as máquinas de café em cápsula têm a vantagem da praticidade e da eficiência, mas pouco enaltecem o sabor, aroma e características particulares dos cafés especiais, para quem já tem um paladar mais apurado. Mas não deixam de ser uma excelente maneira de trazer o consumidor para o universo dos cafés especiais, o que, segundo elas, é ótimo para criar cultura, parâmetros e elevar o nível do mercado.
Na degustação da categoria de cápsulas de consumo mais popular, houve um empate técnico entre as marcas Illy e Três corações. No entanto, entre os cafés gourmet top de cada fabricante, a Três Corações bateu todos por unanimidade. Ou seja, se um formato de máquina de café em cápsula pode se considerar “vencedor” de nosso teste às cegas é a Três Corações. Os degustadores exaltaram a quantidade de pó na cápsula, bom equilíbrio, corpo, aroma, acidez e sabor, com excelente finalização das duas amostras de cápsulas de café da marca. Parabéns à Três Corações!!!!


KARINA MENEGAZZO
“O grande mérito desse novo formato é criar novos consumidores e estimular o consumo de café gourmet. Os fabricantes já  entenderam que o consumidor está buscando qualidade e isso não tem volta”

CAMILA ARCANJO
“O café em cápsula é uma ótima oportunidade para o consumidor descobrir outros tipos de café e sofisticar o seu gosto. O teste, com cinco fabricantes e cafés de qualidade, mostrou que este formato veio para ficar”

GELMA FRANCO
“As máquinas tecnicamente produzem cafés de modo semelhante, mas há cafés que se sobressaem porque tiveram o cuidado de selecionar o blend e a quantidade na cápsula para um melhor resultado final”

ISABELA DO MONTE
“Existem diferenças sutis entre o café em cápsula e o torrado e moído tradicional que nós, degustadores, percebemos. Mas o formato está popularizando o consumo dos cafés especiais, o que favorece o mercado como um todo”