O doce mundo dos vinhos de sobremesa

Vinhos de sobremesa

Nada menos que 27 exemplares de todo o mundo foram testados por nossos jurados. Conheça os vencedores.

Por: Walter Tommasi
Fotos: Lucas Bonito

Se os vinhos secos finos são considerados, pelo público em geral, elitistas e caros,  imagine os vinhos de sobremesa? Definitivamente um luxo para poucos, trata-se de um mercado muito mais difícil e seletivo, no qual a palavra de ordem entre os produtores é: fazemos este vinho por pura paixão, pois não traz resultados financeiros. Vinhos de sobremesa têm uma característica comum, que é serem doces; e os experts esperam também que tenham um certo peso, dado por sua alta graduação alcoólica, o que acaba sendo meio contraditório: afi nal, o açúcar contido nas uvas deve ser transformado em álcool e ainda por cima manter um bom volume de açúcar residual. Como isso é possível?  O resultado esperado pode ser conseguido de diversas formas : 1) Vinifi cando varietais que possuam grande volume de açúcar, como, por exemplo, a Muscat, a Ortega e outras. 2) Adicionando açúcar antes da fermentação, no processo chamado de  chapitalização. 3) Adicionando mosto não fermentado depois da fermentação, no processo chamado de Süssreserve. 4) Adicionando álcool (processo de forti-fi cação), em vinhos como Porto, Madeira, Beaumes de Venise e outros. 5) Remover água para concentrar mais os açúcares em processos feitos com ar, por congelamento, e por ataque da Botrytis. Por exemplo: Vin Santo, Recioto, Ice Wine, Sauternes, Tokaji  e outros. Um outro processo muito utili-zado, especialmente nos países do Novo Mundo, é colher as uvas semanas ou meses após a data normal de colheita adotada para a elaboração de vinhos secos, – é a chamada Late Harvest. Para esta degus-tação de fi m de ano, decidimos deixar os vinhos fortifi cados de fora, prometendo abordar o tema para uma edição futura. Com isso teremos um melhor parâmetro de comparação entre os diversos processos, excluindo os fortifi cados, visto estes serem normalmente mais alcoólicos e intensos. Além disso, a prova nos possibilitou termos um  panorama mais amplo do que  é pos-sível encontrar hoje no mercado brasileiro em cada um dos dois segmentos.

Doçura dos vinhos
Seco: até 4 gramas por litro
Meio seco: até 12 gramas por litro
Meio Doce: até 45 gramas por litro

Doce acima de 45 gramas por litro Recebemos 27 exemplares: seis fran-ceses, cinco chilenos, cinco italianos, três alemães, três húngaros, três argentinos, um espanhol, um africano – com valores partindo de R$ 70 até R$ 560. Para tornar os resultados mais justos, dividimos os vinhos em dois grupos – o primeiro com 17 vinhos de R$ 70 a R$ 150; o outro com dez vinhos acima de R$ 150. A prova ocorreu no descolado restaurante Her-dade, localizado na Av. Brigadeiro Faria Lima, 4199, que tem o chef Danilo Uglar (ex-Piselli) no comando das panelas e um de seus próprietarios, Guilherme Caio, na administração, acumulando a respon-sabilidade pela carta de vinhos da casa. Fizeram parte de nosso júri: Alessandro Tommasi (consumidor especializado), Alvaro Galvão (Divino Guia), Guilherme Caio (restaurateur e sommelier), José Luiz Pagliari, Paulo Sampaio e Miguel Lopes (SBAV-SP), Ralph Schaffa (Amigos de Babette) e Walter Tommasi (Go’Where).

Analisando a nota média desta degustação, assim como as notas médias de cada degustador, podemos notar um grande eqilíbrio nas notas dos participantes. Mas honestamente esperava notas um pouco maiores.

Guilherme Caio 87,6
Miguel Lopes 87,9
José Luiz Pagliari 88,3
Walter Tommasi 88,3
Ralph Schaffa 88,3
Alessandro Tommasi 88,4
Alvaro Galvão 88,7
Paulo Sampaio 88,7
NOTA MÉDIA 88,3

A Degustação A prova ocorreu às cegas, sendo todas as garrafas envoltas em papel-alumínio, evitando o reconhecimento dos rótulos e produtores no momento do serviço do vinho. Contamos com taças ISO especiais para degustação, e os vinhos foram servidos em grupos de 4 exemplares. Os experts convidados utilizaram-se de fi chas de degustação padrão de 50 a 100 pontos, em que o aspecto visual vale dez, o olfativo 30 e o gustativo 60. Na média das notas, visando evitar distorções, tomamos o cuidado de eliminar a nota mais alta e a mais baixa de cada vinho analisado.

Vamos agora à classificação dos vencedores, seus curtos descritivos, o que deverá facilitar ainda mais aos leitores em entender as principais características de cada um dos vinhos: A classificação dos vinhos segue a seguinte tabela:

★★★★★ De 95 a 100 pontos Excepcional qualidade

★★★★ De 90 até 95 pontos Ótima qualidade

★★★ De 85 até 90 pontos Boa qualidade

★★ De 80 até 85 pontos Sem defeitos

Abaixo de 80 Pontos Baixa qualidade