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Louco Amor

Em cartaz com o musical Crazy for you, Claudia Raia e Jarbas Homem de Mello comemoram o feliz encontro dos dois no amor e nos palcos. Desde que se conheceram, no espetáculo Cabaret, há dois anos, o casal diz ficar juntos 24 horas por dia. O segredo, revelam, é gostar das mesmas coisas, dividirem os mesmos interesses. Durante o ensaio fotográfico para a capa de Go Where, num
estúdio em São Paulo, eles falaram sobre trabalho, personagens, os momentos a dois e o que fazem para aguentar a maratona das
apresentações do espetáculo, que exige preparo físico de atleta.

 

Fotos Paschoal Rodriguez
Por Lilian Anazetti Pimentel
Edição de moda Juliano Pessoa e Zuel Ferreira
Styling Luiz Bonassoli e Patrícia Grossi
Make Danilo Toscano
Hair Robin Garcia
Tratamento de Imagem (Capa e matéria) Fernando (Touchwork – www.touchwork.com.br)

 

m 1992, Claudia Raia assistiu ao musical Crazy four you na Broadway e ficou arrebatada. Ao final, quando se acenderam as luzes, mal conseguia se mexer, de tanta emoção. “Todo mundo levantou para ir embora e eu fiquei sentada, parada, sem ar. Quando olhei para o lado, tinha uma velinha e uma criança tentando sapatear. Pensei: no Brasil isso daria muito certo. É um espetáculo de uma alegria impressionante”.

Ela não foi a única que adorou o espetáculo. No ano seguinte, 1993, Crazy for you foi indicado a nove categorias do prêmio Tony (o Oscar dos musicais) e ganhou três, incluindo a de melhor musical.
Os anos se passaram e Claudia Raia guardou tudo na cabeça para a hora certa. O sonho de trazer o espetáculo para o Brasil se tornou realidade no ano passado, 21 anos depois de ela ter assistido à versão original em Nova York. “Encontrar um elenco que sapateia, dança, canta e representa era quase impossível no Brasil, por isso demorei tanto para concretizar. Encontramos essas pessoas e treinamos todos”. Com coreografia original da Broadway, criada pela americana Susan
Stroman (ganhadora de um Tony Award por essa obra), o musical traz aos palcos um elenco de 26 atores, bailarinos e sapateadores. As músicas têm as melodias originais do lendário compositor americano George Gershwin com versão brasileira assinada por Miguel Falabella.

A orquestra, composta por 14 músicos, embala a história de um herdeiro playboy de Nova York, representado por Jarbas Homem de Mello, enviado a uma pequena cidade do oeste americano para cobrar uma dívida e fechar o teatro local. Mas, ao chegar lá, se apaixona perdidamente pela durona Polly, interpretada por Cláudia, filha doproprietário do estabelecimento. O musical estreou no final do ano passado em São Paulo, parou para as festas e retornou este mês, no teatro Bradesco. Fica na cidade até o dia 30/3 e depois viaja por várias cidades, até ir para o Rio.

Dupla de sucesso

Dos palcos para a vida real, Jarbas e Claudia também vivem uma história de amor – juntos desde que atuaram em Cabaret, espetáculo também produzido por Claudia e que rendeu a Jarbas uma indicação ao Prêmio Shell de Teatro de São Paulo. “Esse foi o personagem que mais me deu visibilidade, onde pude colocar toda a minha vivência artística”, diz ele.

Mais do que isso, rendeu aos dois um encontro de almas, que segundo eles, vai muito além do campo emocional. “Nos ajudamos na vida e no trabalho, um segura a onda do outro e não tem como desgastar, pois estamos 100% juntos cada momento”, diz ele. No dia marcado para a sessão de fotos em São Paulo, fazia muito, muito calor. Claudia chegou com um vestido preto básico, de alça, cabelo preso e sem maquiagem. Sua pele lisa e sem manchas chamou a atenção. Ela e Jarbas almoçaram e então foram para a maquiagem. O bate-papo foi ali mesmo – foram 40 minutos de alta sintonia entre os dois.

 

Verdade que vocês passam 24 horas por dia juntos? Qual o segredo para a relação dar certo?

Jarbas – É verdade, a gente faz tudo junto, somos muito parceiros na vida, damos força um para o outro o tempo todo.

Claudia – A gente gosta muito do que faz, gosta de trabalhar e somos muito parecidos trabalhando, isso é
bom. Temos também um temperamento bem parecido, dividimos os mesmos interesses, acho que tudo isso ajuda.

 

Falando em trabalho, como foi a preparação para Crazy for you, o primeiro musical sapateado da Broadway montado no Brasil?

Claudia – A preparação foi insana, porque é um espetáculo muito técnico, que exige do elenco habilidades de danças diferentes. O primeiro desafio, então, foi montar a equipe, treiná-la, e nós treinamos também. Eu, por exemplo, estava sem sapatear há nove anos, porque não havia demanda. Tive que retomar. Claro que a memória está no corpo, mas não está mais no pé!

Jarbas – Tivemos ensaios puxados, de oito, nove horas por dia, de segunda a sábado. É um espetáculo de 2h40, muito técnico e difícil, tanto vocalmente quanto fisicamente.

 

E como vocês se preparam fisicamente para aguentar essa jornada?

Jarbas – A gente faz tudo, musculação, pilates, aula de balé, sapateado, isso a semana inteira. Fazemos também crioterapia, que é a imersão num tonel de gelo para relaxar a musculatura. Outra coisa fundamental é dormir bem, de oito a nove horas por dia. Enfim, é uma vida de atleta, a gente vive pra isso.
Claudia – Quando meus filhos vêm ficar comigo no fim de semana, eles já sabem que eu preciso dormir até 1h da tarde, principalmente, porque sábado é dia de duas sessões seguidas, então eu dependo estritamente do meu sono.

 

O que o público pode esperar do musical?

Claudia – É um entretenimento completo, uma grande comédia com romance, com muito sapateado, músicas muito conhecidas, as pessoas saem estarrecidas, tem um visual lindo, superalegre. E o sapateado tira as pessoas da cadeira.
Jarbas – Parece um filme musical dos anos 40.

 

Claudia, depois de 30 anos de carreira, como você se define no palco?

Uma sobrevivente. Neste país, conseguir produzir, criar companhia de musical, colocar isso em cena com 120 pessoas é realmente um ato de coragem e também uma paixão. Mas acho que é também uma habilidade. Eu posso te garantir que não coloco isso de pé porque eu sou a Claudia Raia, não é mais fácil pra mim, é difícil pra todo mundo.

 

Você acha que por ser famosa, acaba atraindo mais público para o teatro?

Mais ou menos. Claro que nesses 30 anos as pessoas te conhecem, você forma um público, querem saber o que a Claudia Raia está fazendo, mas isso não é garantia de sucesso. Se a pessoa assistir e não gostar, acabou. O boca a boca é a grande joia do espetáculo.

 

Como vocês veem o boom de musicais no Brasil nos últimos anos do ponto de vista da qualidade de produção?

Claudia – Eu sou da época em que a gente não tinha nem sapato de dança, usava microfone de mão, não tinha nada de tecnologia, nem a técnica de abrir e fechar uma cortina. O primeiro musical que fiz na vida foi Chorus Line, em 1982, e tudo veio de fora. Depois, fui produzindo meus próprios espetáculos e as dificuldades eram ainda maiores. Aprendemos muitíssimo com os
americanos e fomos formando profissões que não existiam no teatro original. Conseguimos criar nossas próprias adaptações e não apenas cópias. Hoje conseguimos pegar o conteúdo americano, porque eles fazem isso melhor do que ninguém, e imprimir a nossa personalidade, o nosso humor. Eu acredito mais nisso do que num espetáculo engessado.

Jarbas – Esse crescimento aconteceu nos últimos 12 anos e acho que Claudia é muito responsável pela criação do público de musical. Antes, os americanos traziam o espetáculo inteiro. Hoje, conseguimos ter oito musicais acontecendo ao mesmo tempo totalmente produzidos por nós. Temos até escolas especializadas em teatro musical!

 

E o público, também mudou?

Claudia – Lá atrás, quando eu ainda fazia teatro de revista, comecei a ludibriar o público colocando musicas da Broadway. Já era um cheiro de que alguma mudança estava por vir. Sempre tive certeza de que esse gênero seria abraçado pelo público brasileiro,
porque somos um país extremamente musical e rítmico, não tinha dúvida de que funcionaria. Sobre comportamento, a plateia hoje está mais educada, já sabe a hora de aplaudir, de rir, foi aprendendo.

Jarbas – Antes, o público que assistia aos musicais já tinha visto em Nova York e Londres. Aos poucos fomos criando um novo público, não só das pessoas que já estavam acostumadas. Hoje não dá para enganar, ele já sabe quando é de qualidade e quando não é.

 

O que vocês dizem para quem está começando?

Jarbas – Estude muito, é um teatro muito técnico. O seu corpo sempre tem que estar disponível, não adianta ser um grande bailarino clássico, porque, num musical, você pode estar dançando jazz, sapateado, flamenco, e não ter disponibilidade corporal para conseguir absorver outros estilos.

Claudia – Eu sempre digo que é a arte dos três cérebros, do cantar, dançar e representar, sendo que um não se comunica com o outro. Realmente é muito difícil, é uma afinidade. As habilidades de um ator de musical são mais apuradas; quem dança não é você, é o personagem, não é o seu jeito, é o jeito do personagem, é a voz do personagem.

 

Jarbas, qual foi o seu maior desafio até se tornar reconhecido no meio musical?

Jarbas – O mais difícil, quando comecei, foi que não existia um mercado. Eu tinha uma banda de rock, dançava num grupo da cidade e fazia teatro, mas não sabia o que fazer com tudo isso.

Claudia – Ele fazia aula o dia inteiro, de flamenco, balé clássico, canto, sapateado e tinha um amigo que morava com ele que dizia: por que você faz tanta coisa ao mesmo tempo? Onde você vai usar isso tudo? E ele respondia: onde eu não sei, mas um dia eu vou usar! (risos)

 

Claudia, como você faz para conciliar a vida profissional com a de mãe?

As crianças estão acostumadas, eu também me acostumei. Claro que sofro, mas tudo funciona, porque, mesmo estando longe, eu estou perto, muito presente. Sei tudo o que acontece com eles. O Edson também é um grande pai e, quando está atolado, sou eu quem segura a onda, temos a mesma profissão então a gente se entende.

 

Qual a importância do teatro e da TV na sua vida?

Eu sou uma pessoa oriunda do teatro, é o lugar onde tenho mais intimidade na minha vida. Mas comecei a fazer TV muito cedo, então a Rede Globo é minha casa, um lugar onde trabalho muitíssimo bem, fiz coisas lindas, personagens importantíssimos, então só tenho a celebrar. Essa coisa de as pessoas falarem que a TV é uma arte menor, não é verdade.

 

Dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo?

Fiz a novela Salve Jorge e o Cabaret juntos e quase fiquei louca. Não pretendo fazer de novo, não é saudável, foi muito difícil. Fazer televisão pra mim é uma alegria, mas eu preciso estar lá e aqui, lá e aqui.

 

Quais os personagens mais marcantes?

Claudia – No teatro, tenho uma paixão especial por Sweet Charity e Cabaret, foram personagens muito completos. Na TV, adoro fazer vilã. Me lembro sempre da Ângela Vidal de Torre de Babel e da Lívia, de Salve Jorge, mais recente.

Jarbas – Não sou muito saudosista, acho que cada personagem é uma ponte para você ir buscando sempre mais.

 

Como vocês fazem quando querem sossego?

Jarbas – A gente fica em casa ou viaja. No fim do ano, fomos para uma praia super-reservada em Santa Catarina, conseguimos juntar as famílias, foi bem legal.

Cláudia – Viajar é sempre bom, essas escapadas têm funcionado!

 

Crazy four you
Teatro Bradesco (Até 30 de março)
Rua Turiassú, 2100
Tel.: 3670 4100
www.teatrobradesco.com.br

 

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