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Uh Lala!

Linda, loira e com jeitinho de princesa. Essas características seriam suficientes para muitas meninas admirarem Lala Rudge, que sempre foi a conselheira de suas amigas quando o assunto era moda, beleza e lifestyle. A guru da turma resolveu abrir um blog, ou melhor, um diário virtual – como a própria faz questão de dizer –, para guardar num só lugar suas dicas e deixá-las à disposição para que as meninas pudessem consultar a hora que quisessem. Mas o que era um passatempo de estudante universitária virou negócio de gente grande. Em seis meses, o blog tinha um número considerável  de seguidores, o que chamou a atenção dos anunciantes. O próximo passo foi ter um domínio próprio e profissionalizar a “brincadeira”. Depois de quatro anos de vida on-line, 120 mil page views por dia no blog, mais de 400 mil seguidores no Instagram, 120 mil no Facebook e 45 mil no Twitter, Lala se transformou numa das mais importantes it girls do Brasil. Só que ela nunca planejou essa vida de celebridade, Lala sonhava ter seu próprio negócio ligado ao universo na moda. Eis que surge a La Rouge Belle, que já nasceu um sucesso.

 

De onde surgiu o interesse por moda?

Acho que desde sempre… Minha tia é  dona da Mixed e eu me lembro que adorava ir à loja, acompanhar o desenvolvimento  das coleções, e isso desde os meus 10 anos de idade. Eu ficava louca com os sapatos! Eu me lembro que minha tia me deu de presente, no meu aniversário de 12 anos, um tamanco de salto com estampa de onça. Quando fiquei mais velha, por volta dos 18 anos, comecei a trabalhar na Mixed e depois na Daslu.

 

E por que  acabou cursando Direito e não  Moda?

Eu queria uma faculdade que me desse uma noção geral de tudo e acabei escolhendo Direito. Fiquei conciliando o trabalho na Daslu e a faculdade até o quinto semestre. Mas aí chegou a época de fazer estágio e não estava conseguindo conciliar. Então decidi largar o trabalho, terminar a faculdade e depois voltar a trabalhar com o que gostava.  Só que, nessa mesma época, criei um blog para colocar dicas de beleza, moda, viagem, restaurantes… Era uma espécie de diário virtual, não era a febre de hoje, quando todo mundo tem um blog.

 

Suas amigas pediam essas dicas para você?

Muito! Quando iam viajar, sempre perguntavam quais produtos trazer, o que tinha de novidade bacana… Até mesmo por isso, resolvi criar essa espécie de diário, assim tudo ia ficar ali, arquivado no blog.

 

Quando percebeu que  a coisa ficava séria?

Depois de uns quatro meses da existência  do blog, algumas pessoas começaram a me ligar querendo anunciar. Foi uma surpresa porque nunca pensei em comercializar esse espaço. Com isso, chamei a minha irmã (Maria,  27 anos,  formada em Publicidade)  para cuidar dessa parte comercial, mas depois ela começou a escrever o conteúdo comigo também e nós duas passamos a cuidar de tudo. Só que, como teve muita procura por anúncio, a gente mudou o formato do blog, comprou um domínio na internet e contratou uma pessoa, o Gabriel, que está comigo até hoje, para cuidar dos banners, da programação, essas coisas. E foi ele quem instalou o Google Analytics, que eu nem sabia o que era.

 

Como  foi  quando chegou o primeiro relatório dos acessos do site?

Um susto! Eu achava  que escrevia  para as minhas amigas… É claro que comecei  a ter uma noção de que o blog estava  com mais leitores pelo número de comentários que deixavam nos posts. Mas quando veio o relatório comprovando, foi um choque mesmo.

 

Você  virou uma blogger famosa muito rápido…

Pois é, mas não foi algo que planejei. Eu saía e as pessoas vinham falar que liam meu blog, que acompanhavam o look do dia. Eu até pensei em cancelar o blog por causa dessa exposição, fiquei com um pouco de medo, mas pensei “quem tá na chuva é pra se molhar” e dei continuidade. Só que passei a não me expor tanto, antes eu fazia fotos no meu quarto, agora não…

 

O blog te propiciou muitas parcerias, né?

É, durante um tempo, o blog foi meu principal trabalho e fiz parcerias bem bacanas. Fiz uma coleção de vestidos para a Martha Medeiros, uma coleção de joias para o  Pantalena… Esse era o meu trabalho, tanto que larguei a faculdade de Direito no sexto semestre.

 

Mas você pretende retomar a faculdade agora?

Não, até porque nunca quis seguir carreira nessa área. Queria mesmo era um curso que me desse uma noção geral de tudo. Acho que todo mundo deveria cursar Direito até o terceiro semestre. Depois, o curso começa a ficar muito específico.

 

E onde entra a La Rouge na sua vida?

Eu sempre quis ter um negócio meu e, com o lance do blog, todo mundo falava que eu deveria ter uma marca de roupa. Mas eu não queria isso, até porque a minha família tem a Mixed. Até que um dia, numa viagem com meus pais e meu namorado, que hoje é o meu marido (Luigi  Cardoso  Richitelli, sócio do restaurante  Brasserie  des Arts),  eles reclamaram do meu vício de entrar e ficar horas nas lojas de lingerie. Aí expliquei que gostava  de fazer meu estoque, que só comprava lingerie fora do Brasil porque não tinha nada legal aqui no país, que as coleções nacionais eram sempre iguais, muito básicas ou então tudo muito vulgar, que mais parecia coisa de sex shop. Não tinha nada na linha sexy chic, uma coisa mais jovem, ligada com as tendências de moda… Então, nessa hora, bateu o click: já que é uma coisa que eu adoro e esse mercado estava  em falta no Brasil, vamos investir nisso. Assim que voltei  de viagem, já comecei a organizar tudo.

 

Deu  aquele frio  na  barriga para tomar essa decisão?

Ah, com certeza!  Mas deu tudo certo. A princípio, ia ser só e-commerce,  mas daí mudou tudo e foquei nas multimarcas. O primeiro showroom foi tão bom que vendemos para 61 multimarcas, sendo que a expectativa eram 15, e inauguramos a primeira loja em agosto, no Shopping Iguatemi.

Mais uma vez, tudo foi  muito rápido. Quanto tempo levou para a La Rouge abrir a loja?

Foram cerca  de oito meses para lançar a primeira coleção. A nossa ideia era abrir a loja em um ano, um  ano meio. Fomos conversar no Shopping Iguatemi porque a fila de espera para uma loja lá é imensa, mas demos sorte. O Shopping estava para inaugurar a nova ala e disseram que tinham uma loja que era perfeita para nós. Aí foi uma loucura, inauguramos a loja em agosto.

 

É você quem desenha as peças?

Não, eu mostro as referências, explico como eu quero cada peça e tenho duas estilistas que traduzem tudo isso. Sou eu quem escolhe tecido, cartela de cores… E sempre trazendo as tendências de moda para a lingerie.Mas estou presente em todas as provas e nós três acabamos fazendo tudo juntas. Nós temos mais de uma linha: a Mademoiselle, para meninas por volta do 15 anos; a Couture, que é com renda francesa; a Noir, que é uma linha noite; a Essential, que é bem dia a dia; e vou lançar a Fetiche, que será uma coisa mais sexy.

 

Pensou nas leitoras do seu blog na hora de lançar as coleções da La Rouge Belle?

Pensei, sim. Quero que todo mundo entre na minha loja e possa comprar alguma coisa. Eu até pensei em produzir na China, mas não deu certo por causa da qualidade, não tinha como eu fazer esse controle por ser muito pequena. Então, produzo tudo no Brasil. Mas criamos várias linhas justamente para isso, para todo mundo comprar alguma coisa, inclusive minhas leitoras.

 

E elas já te deram um feed-back da marca?

Claro! E gostaram bastante.

 

Que  história foi essa do catálogo da marca, que  você precisou contratar uma modelo parecida com você…

(risos) Pois é, as meninas escreviam  no Instagram da marca, e também no blog, que queriam me ver no catálogo. Mas isso nunca passou por minha cabeça e meu marido também não ia me deixar posar de lingerie, né? Então, procuramos uma modelo parecida comigo e fizemos o ensaio sem mostrar o rosto, focamos no produto. Com isso conseguimos criar a identidade da marca bem ligada à minha imagem mesmo.

 

Você  é  apaixonada por  beleza. Pensa em  expandir a La Rouge e criar uma linha de cosméticos, make?

Make, não. Mas pretendo, sim, lançar uma linha de cosméticos para o corpo. Já está nos planos começar a ver isso no ano que vem.

 

Bom,  você falou que  atualmente mantém sua vida mais reservada, não  se expõe tanto no  blog. Mas por outro lado, seu casamento bombou na internet e pudemos acompanhar todos os detalhes pelo site…

Mas não tinha como ser de outro jeito, as leitoras do blog acompanharam toda essa fase da minha vida. Eu comecei a namorar o Luigi e, quatro meses depois, criei o blog, então as leitoras viveram junto comigo esse começo de namoro. Então, eu abri mesmo meu casamento e, como muitas leitoras eram noivas também, mostrei a lista de fornecedores, dei dicas… No dia do casamento, tinha várias leitoras na porta da igreja para me ver!

 

O seu vestido de noiva, por sinal, estava lindo…

Ficou bonito, né? Foi inspiração no que a minha vó usou e minha tia também, é uma coisa meio tradição de família. E eu sempre quis que o meu fosse assim também. Então, quando cheguei no Sandro (Barros, estilista), eu já tinha o vestido desenhado na cabeça.

 

Se  havia leitoras na  porta da  igreja no  dia  do seu casamento, imagino que  elas também vão  até a La Rouge e no Brasserie des Arts, querendo te encontrar.

Sempre que chego no Brasserie, tem leitora lá e na loja também. Sempre que encontro com as meninas, tiro foto e converso com elas.

 

Por que as pessoas estão mais ligadas nas blogueiras do que  nos artistas, atualmente?

As artistas expõem o trabalho delas, as pessoas conhecem a personagem e não têm contato com a vida dessas artistas. Elas fazem a novela  e podem sumir por um tempo. As blogueiras, não. É a nossa vida que está exposta, estamos todo dia mostrando nossa vida pessoal, dando a nossa opinião sobre coisas e lugares.

 

Acha que  rola uma identificação maior?

Com certeza! A blogueira é mais acessível, a artista tem aquela coisa de ser inacessível,  de você só saber o que ela quer mostrar.

 

Como funciona o look do dia? Você publica a roupa com que vai sair mesmo, ou faz como algumas blogueiras, que  produzem fotos só para isso?

O blog voltou a ser um passatempo para mim, então não estou com tanto tempo para postar look do dia, só mesmo quando tenho uma festa. Mas, quando eu fazia, publicava exatamente  a roupa que eu usava para sair. Acho errado você fazer cabelo e make um dia e fazer várias looks para postar. As pessoas querem é a realidade.

 

O que  você acha da polêmica que  diz que  os blogs de moda incentivam o consumo desenfreado de grifes?

Eu acho que o papel do blog, assim como o das revistas de moda, é passar informação. Nosso papel é mostrar o que está rolando, mas a leitora não precisa comprar as peças que mostro. A gente tem as fast-fashion para isso. Então, quando ela entrar numa C&A ou numa Renner, ela vai ver uma calça parecida com alguma que postei e vai saber que aquilo está na moda. Cada uma tem de saber até onde pode ir, quanto pode gastar.

 

Para finalizar, quais as peças indispensáveis no guarda-roupa da mulher elegante?

O básico é um bom jeans skinny escuro, uma calça de couro preta, dois blazers, um preto e um branco, um scarpin preto e uma bolsa atemporal. Assim, dá para estar sempre bem arrumada.

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