A eterna moda Vintage

Elas estão entre as mais poderosas representantes da ala jovem da alta sociedade paulistana – desde meninas, habituadas a andar no rigor da moda. Mas, em seus guarda-roupas descolados, todas têm uma espécie de reserva especial: uma coleção de peças vintage, que pertenceram à mãe ou à avó, e que, sendo clássicos eternos, nunca saem de moda.
Por: Zilda Brandão Coordenação: Sidney Osiro Fotos Raul Zito e Thais Antunes

JULIANA PASSOS
Investindo na bolsa (Chanel)
Hoje uma das sócias do Bar do Alemão, filial paulistana do célebre restaurante de Itu, Juliana divide seu tempo entre esse trabalho e seu curso no Instituto Europeu de Design. Durante quatro anos, ela trabalhou como modelo em Tóquio – só voltou para assumir a direção do restaurante. No seu guarda-roupa não faltam peças dos anos 60 e 70 que Juliana ganhou da avó e da mãe. “Gosto muito de usar jeans combinando com peças antigas, principalmente agora que a tendência são ombros marcados e a volta do tweed, que dá liberdade de movimento à mulher.”


O blazer que Juliana usa nesta foto tem 20 anos, mesma idade da bolsa Chanel, ainda impecável – ambos foram de sua mãe.

PAULA DALL’ STE LLA
Jeans com camélias
Médica, terminando especialização em Ultrassonografia no Hospital das Clinicas, quando não usa branco Paula adora combinar jeans da moda com camisetas e peças retrô anos 70. Ela tem olho clínico para a combinação perfeita de peças antigas com roupas modernas. “Tenho pelo menos seis peças que pertenceram à minha mãe e que uso muito. Gosto das bolsas e roupas dos anos 70 e 80 porque misturar o antigo com o moderno é relembrar os meus tempos de garotinha, quando via minha mãe usar com muita elegância seus vestidos. Uso com muito carinho todas as roupas e acessórios que foram presentes de minha mãe e até de minha avó”. A paixão por Chanel, que acomete 9 entre cada 10 mulheres que podem comprar Chanel, também contamina a Dra. Paula. “Adoro Chanel e todas as vezes que viajo trago alguma coisa da grife na minha valise.”

Paula usa duas camélias (as primeiras usadas pela grife Chanel) e que pertenceram à sua avó.

STEPHANIE DICKRHOF
Herdeira do bom gosto
Aluna do curso de Publicidade na FAAP e da escola de atores Wolf Maia, Stephanie adora viajar – e invariavelmente traz na mala pelo menos duas peças vintage que compra em brechós. E seu closet está repleto de casaquinhos e bolsas Chanel que foram usadas por sua mãe nos anos 70. “Para mim, usar peças que pertenceram à minha avó e à minha mãe é uma volta ao passado, a uma época da elegância e do chic. Me espelho em minha mãe, que sempre se vestiu muito bem”, diz Stephanie, filha de Maria Eugênia Dickrhof, representante no Brasil da Wolford, célebre grife alemã de meias-calça.


Stephanie usa casaquinho Chanel, bolsa Hermes Kelly dos anos 60 e botas Gucci.

VANDA JACINTHO
Um Dior bordado à mão
A jovem empresária, proprietária da grife Beach Couture – Moda Praia de luxo – é fã de tudo que é vintage. Seu guardaroupa é quase todo composto de roupas e acessórios que ela garimpa no guardaroupa da avó e da mãe. Ainda criança, adorava usar os sapatos de salto alto da avó. Hoje, costuma comprar algumas peças nos brechós de Paris. A peça mais antiga que possui é um óculos Cutler and Gross dos anos 60, pelo qual já lhe ofereceram até 10 mil reais. “Minha casa é um verdadeiro depósito de peças vintage. Mas minha roupa preferida é um vestido preto desenhado por Clodovil com rendas e plumas dos anos 60.”

Nesta foto, Vanda usa um legítimo bestido Dior anos 60, todo bordado à mão, e um chapeuzinho dos anos 40.

CYNTHIA LANDSBERGER
Poucas e boas
Estudante de Relações Internacionais na FAAP, ela tem duas lojas de cosméticos com a marca Hair Station em shoppings de São Paulo. Seu closet é repleto de vestidos e bolsas vintage, que ganhou da avó, da mãe e de amigas. Para Cynthia, a importância de combinar o moderno com o antigo é fundamental. “Saber combinar as peças com bom gosto e criatividade é estar sempre na moda. Mas o mais importante é ter poucas e boas roupas que sejam sempre recicláveis e combináveis.”


Blazer Christian Dior anos 70, com placa de prata bordados com linhas e strass, bolsa de tecido brocado anos 60 de Valestino.

ADRIANA CARUSO
De Paris, com amor
Aos 18 anos, Adriana Caruso – filha de uma executiva do mercado financeiro e de um construtor, e hoje sócia de Joana Trabulsi na butique Jo/Dri – foi para Paris, onde viveu quatro anos, estudando história da arte no Louvre e design de moda no estúdio Berçot. Dessa temporada parisiense nasceu uma predileção toda especial pelos clássicos franceses, que ela mistura no guarda-roupa com modelos contemporâneos Lanvin ou Alaya. Mas uma visita aos principais brechós de Paris, sempre que volta à cidade, é obrigatória. Ali, compra peças da década de 70. Seu must é a marca Hermès – da qual tem bolsas variadas e lenços que foram da avó, que ela usa amarrados na bolsa ou no pescoço.
Adriana usa vestido Valentino anos 90 comprado em Paris, que recentemente reestreou no casamento de uma amiga, e pulseira de pérolas anos 60 que pertenceu à sua avó.