Reciclagem fashion de luxo está na moda

Foi-se o tempo em que a palavra brechó era sinônimo de produtos velhos e de segunda linha. Atualmente, graças à onda do consumo consciente, há uma leva desses espaços que se especializaram em peças de grifes como Chanel e Dior. Acostumados com esse tipo de serviço no exterior, os fashionistas brasileiros transformaram os brechós de luxo no hotspot do universo da moda.

Por: Malu Bonetto

Se você está esperando suas férias para garimpar nos brechós de Londres e Nova York, pode começar a comemorar. Os brechós de luxo chegaram ao Brasil e estão causando o maior burburinho, seja por oferecerem preços mais acessíveis de peças de grifes ou pela “exclusividade”, já que oferecem itens que já saíram de linha nas lojas. “O crescimento do nosso mercado é uma combinação de consumo consciente e crise econômica. Quem nunca pensou em vender um item de seu guarda-roupa se vê, de repente, duplamente estimulado a reciclar. E depois da primeira compra, a gente percebe a recorrência e a satisfação de quem permite que sua peça de luxo viva a longevidade”, diz Laura Graicar, uma das sócias do Madame Recicla. A empresária Loly Monfort, sócia do brechó Trash Chic, acredita que o sucesso desse tipo de comércio também se dá pelo anseio que a maioria das mulheres tem em adquirir um produto de marca. “Essa é uma maneira de poder adquirir uma peça especial, de marca internacional, por um preço mais acessível.”

Trash Chic

Aberto há 25 anos, o Trash Chic oferece, nos dois andares de um bela casa localizada na região dos Jardins, bolsas, sapatos, óculos, carteiras, bijoux, lenços, casacos e vestidos de marcas como Chanel, Hermés, Gucci, Prada e Valentino. A clientela é formada por mulheres de 20 a 75 anos de idade, que não abrem mão de um produto de grife e sabem que lá é possível encontrá-los cerca de 30% a 90% mais barato. “Claro que os preços são um ótimo atrativo, mas essa não é a nossa única preocupação. Nossas peças são higienizadas, e garantimos que estejam em ótimo estado, a loja é perfumada, tem som ambiente, provadores amplos e as peças são separadas por categoria, tudo para facilitar a escolha e deixar o ambiente aconchegante”, diz Loly Monfort. A seleção das peças é feita de maneira criteriosa, já que a autenticidade e a boa conservação dos produtos são essenciais. Apesar da grande oferta de marcas e produtos, há sempre aqueles que são mais procurados pela ala feminina. Esse é o caso dos casaquetos Chanel; dos vestidos de festa Balmain, Dolce & Gabanna e Valentino; e das bolsas Chanel, Dior e Fendi.

Trash Chic
www.trashchicvirtual.com.br

Madame Recicla

Brechó de luxo físico e on-line, o Madame Recicla, inaugurado em 2011, passou por uma reformulação este ano, com a chegada de três novos sócios. Atualmente, eles trabalham com compra consignada e venda de produtos de alto luxo novos e seminovos. O público on-line, em sua maioria, é de mulheres entre 35 e 55 anos, já na loja física prevalece uma clientela entre 45 e 65 anos. “Nossas clientes, geralmente, são atendidas por uma das sócias, pois fazemos questão de ajudar cada uma a encontrar peças especiais e montar looks únicos”, conta Laura Graicar. As peças recebidas no showroom são examinadas quanto à autenticidade e precificadas de acordo com seu estado de conservação. “Como sempre fomos clientes fiéis das grandes marcas de luxo, nossa curadoria estuda os diversos de-talhes em cada peça para identificar réplicas, que são imediatamente rejeitadas. Além disso, pedimos ao fornecedor que nos mande os cartões de identificação ou nota fiscal do produto, e em caso de dúvida o produto não é aprovado”, explica Laura. Na hora de determinar o preço das peças, eles levam em consideração o preço original, estado de conservação e atualidade do produto. “As peças recém-saídas da loja, com caixa e nota fiscal, ficam em média 30% mais baratas. Mas, em geral, custam 50% a menos do que nas lojas”, comenta a sócia do brechó. “Temos desde uma regata Missoni a R$ 90 até bolsas Hermés que chegam a mais de R$ 50 mil. Sendo que a peça mais maravilhosa é uma bolsa Birkin preta, novinha em folha e que não existe disponível nas lojas do Brasil e de muitos outros grandes centros dos EUA e da Europa.”

Madame Recicla
www.madamerecicla.com.br