SPFW aposta na moda consciente

Empoderamento feminino, street wear e um “fazer muito com pouco”. Essas foram as principais inspirações das grifes que participaram do SPFW N43. Confira o que rolou de melhor durante essa semana de moda.

Por: Mariana Gallo

Lino Villaventura

O estilista trouxe para esta coleção looks oversized e shapes esportivos. A alfaiataria desconstruída brinca com o sério. As sobreposições são o destaque da coleção. Os vestidos rococós aparecem com estampas cintilantes, mas combinados com tênis e em comprimentos mídi. A coleção fecha com peças mais sofisticadas e com brilho, provando que Lino sabe permear estilos sem deixar de ser Lino. Palmas ao mestre.

Ellus

Completando 45 anos neste ano, a Ellus fez um desfile festivo e nostálgico durante a SPFW N43. Na passarela, modelos poderosos que estamparam as campanhas da marca nos últimos anos, como Renata Kuerten, Carol Trentini e Mariana Weickert. A marca levou para a passarela o fetiche, o couro, o jeans, as jaquetas, os vestidos sensuais com coturnos pesados, deixando a coleção sexy e ousada.

Osklen

Oskar Metsavaht não pensou duas vezes em envolver o elenco do filme Soundtrack, que estreia em junho, para a criação de seu inverno. O filme, que se passa na Antártida, inspirou uma coleção em que reinaram o utilitário assimétrico estiloso; os híbridos, como a camisaria com camisa-blusão-de-tricô, camisa-parka, camisa-moletom-com-capuz; os longos fluidos e semitransparentes; as sobreposições instigantes e monocromáticas; e o pé no chão, com um chinelo–doudoune volumoso superconfortável.

Alexandrine por Batista Dinho

Estreante na SPFW, a grife Alexandrine surge da parceria entre a empresária portuguesa Alexandra Fructuoso, colecionadora de alta-costura, e o ex-professor de passarela, e agora estilista, Batista Dinho. Na passarela, os looks off white destacavam o trabalho com as fitas, e mais para a frente a marca trouxe opções de vestidos de festa e alfaiataria ainda em verde, cinza e preto.

Ellus 2nd Floor

O empoderamento feminino foi o ponto de partida da Ellus 2nd Floor, para criar uma coleção inspirada na Mulher-Maravilha. Na passarela, looks inspirados na origem militar da personagem, com uma série de elementos utilitários, bolsos e patches em peças de sarja e moletom. As estampas seguem o mesmo ritmo, com muita camuflagem. O uniforme da heroína aparece de forma sutil em vários pontos da coleção.

Fabiana Milazzo

O Brasil foi o fio condutor da coleção da estilista Fabiana Milazzo. Ela buscou na nossa fauna, nas paisagens, na arquitetura e nas próprias costureiras e bordadeiras elementos para criar uma coleção com peças ricas que agradam tanto mulheres mais casuais, quanto as mais sofisticadas. Teve também peças em jeans, blusões oversized, saias e trenchcoats, que aparecem em bordados misturando lã e pedraria ou com aplicação de tiras de jeans reaproveitados, que seriam descartados. Estampas com desenho de pássaros coloridos, crianças e fl ores dão um ar mais delicado e frescor à coleção.

À La Garçonne

A marca de Fabio Souza e Alexandre Herchcovitch buscou inspiração no boxe, com cinturões em que se liam a sigla ALG e a palavra Love, e regatas com o lema A la Garçovitch. O punk, o sadomasoquismo, o militarismo e o romance também entraram na passarela para mostrar o tudo misturado na mais perfeita harmonia.

PatBo

Patricia Bonaldi mergulhou no universo do street wear para essa coleção. Aparecem na passarela tricôs com bordado de linha 3D e também a estampa de pinceladas que recebe interferências de aplicações de contas e pedras. Os destaques vão para a influência de Jean-Michel Basquiat e suas obras cheias de grafite, e para a parceria com Helena Bordon nos moletons aveludados.

Lolitta

Inspirada pela Commedia dell´arte, em que seus personagens usam figurinos coloridos com padronagens geométricas, Lolitta Hannud se inspirou nesses detalhes para criar a coleção de inverno. Ao contrário das coleções passadas, a marca trouxe looks mais sóbrios e peças mais soltas, prevalecendo as formas amplas e leves. A coleção elegante também contou com muitas peças em lurex e sobreposições.

Lilly Sarti

Foi inspirada pela biologia das células, micro-organismos e mudanças humanas que Lilly criou uma coleção glamourosa e poderosa. Na passarela, as modelos em saltos desafiadores aparecem em looks com cinturas marcadas, ombros presentes e brilhos de cores cintilantes. As transparências e os tecidos leves nos levam para uma pequena e nostálgica moda 70, em que os tons de rosa, terrosos e metalizados começam a aparecer. Para fechar, um pouco do grunge dos 90, com silhuetas menos acinturadas, comprimentos mídi e preto.