AAA nas alturas

O mercado de luxo no Brasil está em franco crescimento. É o que revela uma pesquisa realizada pelas consultorias MCF – a principal do segmento luxo no País – e GfK Brasil, com 95 empresas nacionais e internacionais ouvidas no início deste ano. O setor, que faturou US$ 6,23 bilhões em 2009 – crescimento de 4% (dólar) e 12% (real) em relação ao ano anterior – deve ampliar seu faturamento em 22% este ano, alcançando o montante de US$ 7,59 bilhões. Em reais, isso significa que cada consumidor gastou, no ano passado, R$ 2.726 por compra.
Os investimentos no setor cresceram em 2009, saltando dos US$ 950 milhões alcançados em 2008 para US$ 1,24 bilhão. Segundo Carlos Ferreirinha, presidente da MCF, a expansão do setor neste ano deve ser surpreendente, mesmo com a previsão de um pequeno decréscimo no valor dos investimentos. “Espera-se que 2010 apresente o melhor resultado dos últimos cinco anos”, diz Ferreirinha. Isso se deve, em parte, ao fato de o Brasil ter sofrido de forma menos intensa os reflexos da crise mundial. Para Antonio Perrella, diretor de Atendimento ao Cliente e Novos Negócios da GfK Brasil, enquanto uma pequena fatia do mercado (3%) ainda acredita que os negócios serão muito afetados pela crise, 67% acreditam que não haverá impacto algum. Outros motivos que justificam tal crescimento também foram citados, como, por exemplo, a significativa expansão das grifes no País. Ferreirinha ressalta que o Brasil está na mira dos grupos internacionais. Foi o que acabou de acontecer com o francês LVMH, dono da Louis Vuitton, que anunciou a compra de 70% do site brasileiro Sack´s. Nos planos estão ainda a abertura de lojas da Sephora a partir de 2011. Na avaliação das empresas, excluindo São Paulo e Rio de Janeiro, as cidades mais promissoras para a expansão do mercado do Luxo são Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Ribeirão Preto. Essa promessa de bons resultados justifica o crescimento no número de lojas previsto para 2010.


O perfil do setor
Mulheres permanecemcomo maioria

As mulheres representam a maior parcela entre os compradores de artigos de luxo. Apenas 42% dos clientes deste mercado são homens, contra 58% de mulheres. Outro predomínio ocorre no Estado de São Paulo, que aumentou sua participação quanto à concentração dos consumidores do luxo no Brasil. A maior parte dos consumidores do segmento tem entre 26 e 35 anos, enquanto brasileiros entre 36 e 45 anos representam 30% dos clientes. Considerando a faixa salarial dos consumidores do luxo, percebe-se que 45% deles têm renda mensal superior a R$10 mil e que 47% fazem investimentos pessoais de até R$100 mil.

Marcas preferidas
Ao avaliar as preferências e desejos deste público, a pesquisa chegou ao ranking de marcas nacionais e internacionais. A Top of Mind internacional é a Louis Vuitton (30%), seguida pela Hermès (12%) e Chanel (8%). No ranking de marcas nacionais a liderança fica com H. Stern (24%), seguida de perto pela Daslu (20%).