Ana Paula Padrão: Meu Luxo é Minha Casa

À frente do jornal da Record há três anos e de duas empresas próprias – uma delas o portal Tempo de Mulher, que teve mais de 27 milhões de acessos no último mês de março – a jornalista Ana Paula Padrão revela a Go Where um dos seus maiores prazeres, além do trabalho: cozinhar. “É a minha higiene mental”

Por Lilian Anazetti Fotos Wellington Nemeth

Era para ser uma entrevista sobre luxo. Suas grifes preferidas, restaurantes top, lazer para poucos. Mas assim que a conversa começou, Ana Paula Padrão já foi avisando: “Eu não ligo pra luxo, não sei nada sobre os lançamentos das marcas mais famosas. As joias, ganho do meu marido. Gosto de uma roupa boa, de qualidade, mas compro quando viajo. Por que eu vou pagar mais caro aqui se posso comprar em Nova York a mesma peça, 70 % mais barato?”.

O rumo da conversa mudou um pouco; enveredamos por assuntos atuais, como os grandes desafios do jornalismo hoje e sua rotina de trabalho, que engloba, além da TV Record, outras duas empresas próprias – a Toureg, especializada em vídeos e montagens de televisões corporativas, e o projeto Tempo de Mulher, uma plataforma de informação hospedada no MSN, com discussões, fóruns e encontros sobre o papel da nova mulher brasileira no mercado de trabalho. “Eu trabalho 12 horas por dia. Não faço ginástica, não tenho lazer durante a semana, não vou a happy hour. Por isso, luxo para mim é ficar em casa. Sou daquelas que tranca a porta na sexta e só abre segunda de manhã, para ir trabalhar”.

Apaixonada por cozinha, Ana Paula passa os finais de semana cozinhando, sempre acompanhada do marido. O casal, que não tem filhos, mora numa cobertura nos Jardins. “Temos duas cozinhas no apartamento. Uma para o dia a dia. A outra só nossa”. O prato preferido da jornalista – que tem 26 anos de carreira – é o risoto. “Faço do que tiver em casa”.

Outro luxo para ela é ir às compras no sábado de manhã, no mercado Santa Luzia, e escolher com calma os ingredientes que vai usar nas receitas. “Estava lá outro dia e me surpreendi quando vi o Galangal seco, um tempero que só dá no Oriente. Quando viajo para lá, trago na bagagem e congelo, adoro usar nas minhas receitas. Acho que isso é o mais incrível nesta cidade; aqui você encontra um pouco do mundo inteiro, começando pela área cultural e chegando aos melhores produtos. Se você quiser se aconselhar com um grego, você encontra. Se quiser uma informação sobre Butão, você encontra. Se der vontade de comer comida balinesa, tem. Isso para mim é luxuoso”.

Viajar também está entre os luxos de Ana Paula. A lazer, ela consegue sair três vezes por ano. “Se eu ficar em São Paulo o telefone não para de tocar, por isso viajo muito para fora. Este ano, eu e meu marido estamos planejando uma viagem para a Itália e Espanha. Aqui no Brasil, gostamos muito de ir para a nossa casa na Bahia, perto de Itacaré”, conta ela, que vai além e diz que viajar ajuda no processo criativo. “Trabalhar demais, o tempo inteiro, é contraproducente. Falo isso com a consciência de quem trabalha muito, muito mesmo. Por isso, para mim, esses pequenos luxos, de viajar e cozinhar, são a minha inspiração, minha higiene mental”.

Polêmicas

E é essa mulher viajada e ligada em tudo o que acontece à sua volta que tem também opiniões polêmicas sobre o jornalismo hoje. “Acho que tem espaço para tudo, desde que haja adaptação. Acredito muito em convergência, porque acho que a necessidade básica das pessoas, no mundo de hoje, é tempo. Se existe uma plataforma que me permite fazer compras, informar, trocar informações com meus amigos e assistir TV, enfim, isso me poupa tempo”. E sobre mandar informações, em tempo real, para os canais de TV e outros veículos? Qualquer um pode ser repórter? “Isso é ótimo, é sensacional e sou muito criticada por pensar assim. Esse indivíduo que está na rua, denunciando alguma coisa, está mostrando a sua responsabilidade social. Que bom que a mídia não é mais a única dona da verdade”.

Ampliar os canais, ampliar a qualificação das pessoas que entram na área. Desde que o diploma de jornalismo passou a não ser mais necessário para o exercício da profissão, as discussões sobre o tema se tornaram recorrentes. “Eu acho muito bom que médicos possam ser jornalistas, advogados, engenheiros, porque acho que isso torna o ambiente jornalístico mais plural e mais denso. Realmente não tenho espírito corporativo. Seria uma boa jornalista mesmo se fosse formada em Pedagogia. Na minha visão, existem outras preocupações mais relevantes. O maior desafio do jornalismo hoje, da TV mais especificamente, é saber quem é o seu público, identificar a necessidade real de cultura e de repertório de quem está assistindo. Há 10 anos você fazia TV para a elite e o resto consumia. Hoje, essa elite deixou de ser a formadora de opinião”.

Luxo é…

-Viajar de férias e deixar o celular desligado

-Comprar roupas, bolsas e tudo mais em NY, muito mais barato!

-Passar o fim de semana em casa

-Ter duas cozinhas em casa, uma só minha

-Cozinhar sem invencionismo, mas com ingredientes requintados, diferentes, exóticos

-Fazer compras no Santa Luzia

-Saber que em São Paulo você encontra um pouco do mundo todo

-Passar uns dias na minha casa na Bahia, perto de Itacaré

 

Leia essa e outras matérias na Go’Where n° 93