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Quarenta anos realizando sonhos dourados

Ela se formou em Medicina e chegou a atuar na área, mas a vocação falou mais alto e Laja Zylberman foi trabalhar como designer com a mãe na Sara Joias. Hoje celebrando os 40 anos da joalheria, a empresária carioca fala sobre sua trajetória e os modismos no universo das pedras preciosas.

Por: Cibele Carbone

A carioca Laja Zylberman sonhava em ser médica. Cursou faculdade, se formou, foi trabalhar em um estressante CTI – Centro de Tratamento Intensivo (ou UTI, como se diz em São Paulo) e sonhava em abrir um centro de diagnósticos. “Fui pedir auxílio financeiro à minha mãe, que propôs que eu trabalhasse com ela durante uns três meses antes de realizar esse projeto. O período foi suficiente para eu perceber que ela tinha razão – minha verdadeira vocação estava na joalheria e não na Medicina”, conta Laja sobre o modo como ingressou na Sara Joias, joalheria fundada em 1977 pela mãe, Sara Zilberman – sim, com i em vez de y –, no Rio de Janeiro. Completando 40 anos de história, a Sara Joias atualmente, está sob o comando de Laja – que é a responsável pelo design das peças desde quando começou a trabalhar lá, aos vinte e poucos anos –, e de seu irmão, David Zilberman. Tem lojas no Rio, São Paulo e Porto Alegre.

GW: Sua mãe fundou a Sara Joias em 1977. Que lembrança tem dessa fase, do início da joalheria?
LZ: Eu lembro que desde o início tivemos muito êxito. Um belo dia, minha mãe jogou um punhado de pedras pre-ciosas na minha frente e disse “desenha!”. Fiz o que eu mais gosto de fazer, que são brincos – alguns pares longos, outros de um lado só, bem à moda dos anos 1970. Eram brincos completamente diferentes, que foram um enorme sucesso. Recordo que um dos primeiros modelos era em forma de estrela, da qual pendia um maço de correntes com pequenos brilhantes entremeados e nas pontas. Na outra orelha, o par era apenas uma estrela.

GW: Onde busca inspiração para a criação das peças?
LZ: A inspiração vem do nada. Às vezes, estou andando pela rua e, de repente, tenho a ideia de um desenho para uma joia. Tanto que nos supermercados, nos restaurantes, em qualquer lugar, sempre tenho um caderno à mão ou arrumo um guardanapo. Vou desenhando porque as ideias são tantas que não consigo lembrar de todas elas. Qualquer coisa me inspira, mas meu foco é mostrar que a arte da joalheria não é algo superficial, ela se compõe de um es-tudo aprofundado dos temas que escolho – como fiz com Shakespeare, o cinema de Hitchcock, Pop Art, entre outros. Sempre faço joias com algo a dizer. Não quero ser uma pessoa como todo mundo, gosto de ser avant garde e me expressar de uma forma diferente.

GW: O que mais te encanta no mundo das joias?
LZ: É a precisão de todo o processo artístico e a forma com que busco essa precisão, que leva ao aperfeiçoamento na arte e na vida. E eu não faço isso sozinha, os ourives que trabalham comigo também se aperfeiçoam e melhoram a cada peça, a cada acabamento. O resultado é a constatação de que a finalidade desse trabalho não é só o dinheiro, pois o trabalho nos permite vivenciar esse processo evolutivo em que ficamos felizes com nosso próprio cresci-mento.

GW: A Sara Joias é uma empresa que nasceu no Rio de Janeiro e demorou um bom tempo para abrir sua boutique em São Paulo. Por quê?
LZ: Fomos formando uma clientela a partir de paulistanos que viajavam para o Rio de Janeiro e conheciam a loja, compravam joias. Como somos uma empresa familiar e não tínhamos tantos braços, ficamos assim por muito tempo. Porém, a demanda foi aumentando ao longo dos anos, o que nos levou a decidir abrir loja em São Paulo. Da mesma forma, abrimos loja em Porto Alegre também.

GW: Há diferença entre as consumidoras de joias de São Paulo e Rio? Algum tipo de joia faz mais sucesso numa cidade do que na outra?
LZ: Cada lugar tem suas manias e suas modas, que são completamente diferentes. Mas nunca tive necessidade de adaptação ou de fazer coleções específicas para as lojas em cada cidade, pois as joias que faço são ecléticas e atemporais, por isso atendem a todos os gostos.

GW: O índice de violência no Rio e em São Paulo está muito alto. Esse quadro afetou o hábito das mulheres de comprarem e usarem joias?
LZ: Não sinto isso… Acho que a mulher não pensa duas vezes em estar linda para uma ocasião especial. Ela pode até evitar exibir joias em alguns momentos, mas, quando quer estar produzida, ela não se amedronta.

GW: As tendências de moda mudam o tempo inteiro. Com a joalheria também é assim, existe um modismo?
LZ: Existem modismos, sim. Já lançamos aqui ouro branco, ouro amarelo, ouro rosa e negro, tudo isso foi moda em algum momento.

GW: E você: é adepta dos modismos ou prefere os clássicos?
LZ: Eu sou adepta da avant garde. Gosto de tudo que é de vanguarda. Gosto de lançar moda!

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