Um papo-cabeça com a ex-Magda

Uma conversa deliciosa com a atriz que diz ter lutado a vida inteira para ser inteligente e nunca conseguiu ser tão amada na vida fazendo o papel de uma imbecil sexy

Por Leonardo Millen
Fotos Priscila Prade
Coordenação Sidney Osiro
Styling Myrna Nascimento
Cabelo e Maquiagem Junior Mendes
Assistente de fotografia Vivian Berberian

Sempre foi ativa e eclética. Na juventude, fez balé clássico, foi nadadora pelo Clube Pinheiros e encenava peças amadoras com as amigas. Fez Psicologia na PUC e o curso da Escola de Arte Dramática da USP. A cena ganhou uma grande atriz em 1983, com sua estreia profissional na peça Una Serata Al Sugo, de Miroel Silveira. Daí, Marisa aproveitou seu vozeirão e engrenou uma carreira de cantora, integrando as cultuadas bandas Luni, nos anos 80, e Vexame, entre 1989 e 2007. Quem viu tem saudades…Marisa continuou inquieta.

Estreou no cinema, em 1991, no filme Não Quero Falar Sobre Isso Agora. Mas o grande público a conhece mesmo é da TV, sobretudo por conta de dois papéis que viraram clássicos: a Nicinha de Rainha da Sucata, sua primeira novela na Globo, em 1990, e a impagável Magda, do humorístico Sai de Baixo, de 1996 a 2002. Brilhou em outras novelas e novos sitcons. Este ano, fez uma ex-gorda ao lado de Jorge Fernando, um ex-gay, em Macho Man. Simplesmente hilários. Se a carreira artística é agitada, Marisa preserva sua vida particular. O pouco que divulga é que foi casada com o produtor cinematográfico Evandro Pereira, com quem teve um filho, João Antônio. Atualmente, está encantada pelo músico e percursionista Dalua, com quem também divide o palco em shows. Sem um programa fixo na TV, Marisa viaja o Brasil com o seu show Romance, Vol. II, onde canta, interpreta e faz improvisos com muito talento e bom humor.

No estúdio fotográfico onde ela posou de diva chique, muito à vontade por sinal, conversamos um pouco de tudo, incluindo considerações filosóficas e risadas homéricas. Afinal, ela é exatamente isso:
uma mulher intensa, inquieta, que sabe encarar a vida com seriedade e muito bom humor.

Você realmente pensou em ser psicóloga?
Havia uma certa pressão na família para eu fazer um curso superior. Mas eu não queria fazer o curso da Escola de Artes Cênicas da USP, que é o superior. Quis fazer o de Artes Dramáticas, que equivale a um curso técnico de
três anos. É uma escola de ator dentro da USP de muita tradição. São apenas 20 alunos por ano, tem um exame difícil pra caramba para entrar, tipo Fame: tem de cantar, sapatear… Eu morava com os meus pais. Então, como não precisava trabalhar, entrei nas Artes Dramáticas na USP e fui escolher entre Ciências Sociais, Psicologia e Direito para cursar uma universidade. Entrei em Psicologia, me formei e gostei bastante.

Como seria a Marisa Orth psicóloga?
Eu sei que não sou psicóloga. Tem muita gente que nunca fez faculdade que pode ser psicóloga e não sabe. Eu me formei, mas sei que eu não sou. A Psicologia é um braço da Medicina que envolve terapêuticas para eliminar o
sofrimento alheio. A maioria das pessoas que vai fazer Psicologia não sabe disso.

Veja a matéria completa na revista Go’Where nº89.