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Uma linda e talentosa mulher

Reconhecida como uma das mais belas atrizes brasileiras de todos os tempos, Maria Fernanda Cândido vem  esbanjando seu talento no teatro (agora brilhando na comovente peça A Toca  do Coelho), cinema e televisão há 16 anos. Seu  papel como Paola, da novela Terra Nostra, em 1999, foi um divisor de águas na carreira – a personagem a tornou conhecida do grande público. Assumidamente uma atriz crítica, perfeccionista e estudiosa, ela revela ter encontrado a receita para conciliar a carreira com  as tarefas de mãe e esposa – de que ela não abre mão – bem  como seus segredos para manter a boa forma e como lida com  o assédio, já que é uma das atrizes mais discretas do meio artístico.

Aos 39 anos, Maria Fernanda Cândido é uma mulher especial. Em 16 anos de carreira, interpretou grandes papéis no cinema (Prêmio Kikito de melhor atriz no Festival de Gramado por sua atuação no filme Dom, em 2003), no teatro e na televisão – foram mais de 20 trabalhos entre novelas, séries e minisséries. Ela já foi considerada a mulher mais linda do mundo e está no rol das atrizes mais cotadas da Rede Globo. Mas nada disso a deslumbra. Em primeiro lugar, está sua família, os filhos e a privacidade de sua vida pessoal, de que, por sinal, ela cuida muito bem. Além de todos os predicados já citados, Maria Fernanda é também uma das atrizes mais discretas do meio artístico. O assédio, segundo ela mesma, é uma consequência do trabalho, e quando ele acontece, é muito tranquilo.

Foi assim com um de seus personagens recentes mais fortes, a Julia, de Sessão de Terapia (GNT). Maria Fernanda participou da primeira temporada da série, dirigida por Selton Mello. Seu drama era a paixão que nutria por seu próprio terapeuta. “Foi uma personagem muito forte. As pessoas me paravam na rua, pois queriam saber o que iria acontecer e até dividir comigo histórias parecidas. Fiquei bem surpresa, não esperava tanto retorno, já que a série foi apresentada na TV fechada.”

 

Grandes personagens

Outra  personagem intensa, e que também vem repercutindo muito, com reações comoventes da plateia, é a Beka, que ela interpreta atualmente na peça A Toca do Coelho, do americano David Lindsay- Abaire, um grande sucesso na Broadway e ganhadora do prêmio Pulitzer. Com direção de Dan Stulbach, fica em cartaz até o fim do ano em São Paulo, para depois rodar o Brasil. A história, que também já virou filme, Reencontrando a Felicidade (2010), trazia Nicole Kidman no papel principal da personagem Beka. Por aqui, ao lado de Reynaldo Gianecchini, seu marido na história, Maria Fernanda trava uma batalha interna e com a família depois de uma grande perda. “É, sem dúvida, um dos meus trabalhos mais importantes no teatro, pelo texto, pelo elenco, pela forma como foi dirigido e pela reação das pessoas.”

Mais uma participação que promete muitas discussões e gente parando nas ruas para levanter questionamentos é a minissérie Correio  Feminino,  que começou a ser exibida no Fantástico  no último dia 27 de outubro. Inspirada nas crônicas que Clarice Lispector escrevia para jornais das décadas de 50 e 60 sob o pseudônimo de Helen Palmer, Maria Fernanda foi convidada para ser a narradora de todos os textos. “Eles foram escritos há tantos anos e são tão atuais! Cada episódio traz um tema: beleza, casamento, maternidade, trabalho, mas, acima de tudo, traz dilemas femininos que nada mudaram.”

E por falar em minisséries, a atriz estava  orgulhosa no dia da entrevista a Go Where – que aconteceu no restaurante de seu marido, o Bistrô Le Poème. Ela acabara de saber que Brado Retumbante, minissérie de que participou em 2011, foi indicada ao Emmy Awards. “É sempre um motivo de alegria, de reconhecimento”.

 

Segredos para a boa forma

Para comemorar, um potinho de brigadeiro de colher, que ela saboreou no final da entrevista. “Um docinho assim, gostoso, faz bem.” Mas não se engane. A atriz é muito cuidadosa com a alimentação e com o corpo. Queria ter mais tempo para se dedicar aos exercícios, mas a correria do dia a dia é grande. “Faço pilates há 20 anos, quando ninguém nem sabia o que era. Gosto muito, mas às vezes faço grandes intervalos por falta de tempo.” Diz ainda que não abre mão do shiatsu, pelo menos uma vez por mês.

Mas a boa forma da atriz tem outros dois responsáveis de peso: seus filhos, Tomás, de sete anos, e Nicolas, de quatro. “Às vezes eu escuto uma ´vozinha´ ao longe e aí é só rezar para que eles desçam da árvore sãos e salvos”, diz ela, que mora numa casa em São Paulo e já há alguns anos deixou de fazer novelas para se dedicar aos filhos. Ainda assim, quando precisa estudar e decorar um texto, entra madrugada afora. “Na época de Sessão de Terapia, eu colocava as crianças na cama às nove horas e ia até 3, 4 da manhã estudando.”

Como foi a estreia da peça A Toca  do Coelho?

Foi ótima! Estamos sempre cheios e o retorno do público tem sido bem positivo. Ensaiamos durante dois meses com afinco e disciplina e o Dan Stulbach soube conduzir com muita sensibilidade. Já era um texto de que ele gostava bastante, então a dedicação foi imensa, tanto dele quanto do elenco.

 

Como é sua personagem?

A peça trata das rasteiras da vida e das situações que não têm explicação.  É um texto  bem intenso, profundo, mostra um casal que é acometido por uma perda inesperada e dolorosa e precisa aprender a lidar com isso, com as lembranças, com a culpa e até com a família. A Beka é casada com o Paulo, interpretado pelo Gianecchini. É uma mulher muito correta, que sempre fez tudo certinho e que não compreende o porquê disso acontecer com ela. Esse é o X da peça. É a velha e boa pergunta: por que comigo?

 

O texto de David Lindsay é sucesso nos palcos e no cinema. Viu o filme para ajudar a construir a per- sonagem?

Não vi o filme e não assisti à peça da Broadway. A preparação da personagem foi algo muito meu. Não pesquisei o que havia sido feito, fiz um caminho diferente, fiquei muito focada no texto, no que eu pude conhecer da personagem, no que eu pude captar dela nas entrelinhas, no jeito, de como ela era, na personalidade.

 

O que  o público pode  esperar?

Eu acho que o público vai acompanhar um momento delicado dessa família, a maneira como eles vão conseguindo se transformar através da compreensão, da generosidade e, sobretudo, do amor. É preciso ser generoso para entender o outro, isso é uma coisa a se levar em conta. Sinto também que as pessoas saem acalentadas emocionalmente, para elas é como se não estivessem sozinhas.

 

Você estreou nos palcos em 1997 com a peça Anchieta. O que  mudou em você de lá pra cá?

Muita coisa. Acho que hoje sou uma pessoa muito mais ligada aos processos do que aos resultados.

 

Você  acha que  o teatro brasileiro teve alguma mu- dança significativa nesses 16 anos?

O teatro continua muito forte. Não acho que tenha perdido espaço, pelo contrário, hoje a oferta de peças é bem diversificada, você tem desde as mais comerciais, até as comédias, os clássicos. Acho que o teatro vive um momento muito bom e com público interessado.

 

Qual é a sua paixão: cinema, teatro ou televisão?

O teatro me captura muito porque sou uma atriz que gosta da rotina do teatro, gosto da coxia, gosto da convivência com os colegas, eu chego muito antes, gosto de estar com essas pessoas. O teatro é um grande vício. Quando não estou fazendo, tenho muita saudade. Já o cinema é a minha paixão! Toda a minha formação é voltada para o cinema, tenho essa paixão desde a adolescência, gosto de assistir, de fazer. A televisão é uma diversão, é um grande treino para o improviso, é um exercício  oposto ao teatro. Acho muito difícil, inclusive, não é pra todo mundo.

É puxado e, às vezes, pouco valorizado.

 

A personagem Paola, da novela Terra Nostra, foi um divisor de águas na sua carreira?

Foi a personagem que me fez ficar conhecida do grande público. Isso é algo que realmente gera uma mudança. Trabalhar com o Raul Cortez foi um grande presente da vida. Tenho todo um carinho por esse trabalho.

 

Qual o seu grande momento profissional?

Foram tantas coisas… Gosto de citar Capitu, em que eu trabalhei grávida. Foi inesquecível.  O Brado Retumbante também, indicado agora ao Emmy, Sessão de Terapia, um trabalho especialíssimo, e a A toca do Coelho. Esses dois últimos, por exigirem de mim uma sensibilidade a mais, um aprofundamento intenso nas personagens.

 

Você  tem facilidade para decorar os textos?

Eu tenho que estudar. Não tenho muito essa coisa de decorar, preciso me envolver muito, entender. Decorar só por decorar, comigo não funciona.

 

Você é muito crítica? E perfeccionista?

Normalmente, sim. Sou exigente, acho que a maioria dos atores é. Mas eu gosto de me assistir, costumo fazer uma autocrítica positiva, não fico só no sofrimento, estou sempre atenta para ver o que preciso melhorar. Hoje, uso o perfeccionismo no seu lado bom, no lado positivo, que faz ir além. Consigo escapar da obsessão e da frustração constantes que ele pode gerar em alguns casos.

 

Qual o seu grande desafio como  atriz?

Um dos grandes desafios é conseguir estar em cena integralmente  vivendo naquele tempo real e naquele espaço. Vestir a personagem, sabe? É como se seu ego pedisse licença para receber aquela personagem, para ela ser e estar. Pra isso, tem que deixar de lado o seu julgamento. Isso é desafiante.

 

Como concilia a carreira com a rotina de casa e filhos?

Tenho quase certeza de que minha rotina é muito parecida com a das mulheres brasileiras que são casadas, têm filhos e trabalham. Correria total! Eu conto com a ajuda de uma pessoa que trabalha na minha casa, mas já há dois anos não tenho babá, faço tudo, supermercado, cuido das crianças…

 

Sente-se culpada em  alguns  momentos, quando o ritmo de trabalho está intenso, por exemplo?

Depois que eu tive os meninos, adequei bem o meu ritmo de trabalho. Antes, eu fazia até três projetos ao mesmo tempo. Televisão junto com teatro e, de repente, até um filme. Hoje, faço um projeto de cada vez. Isso me dói, porque às vezes tenho que sacrificar alguns trabalhos maravilhosos. Mas o que eu vou fazer? Essa opção de encontrar um ponto de equilíbrio foi bem acertada.

 

Por isso você se afastou um pouco das novelas?

Sim, nos últimos cinco anos eu tenho ido para o Rio só para fazer minisséries ou participações rápidas, é mais viável. Quando isso acontece, minha mãe mora perto e ajuda bastante. Meu marido também é um supermarido, um superpai. Eu conto com ele; ele é ótimo!

 

Como  narradora da  minissérie  Correio Feminino, exibida no  Fantástico, o que  mais te surpreendeu nos textos de Clarice Lispector?

A linguagem surpreendentemente atual. Eu passei a conhecer a Clarice mulher agora, através de tudo que ela fala nessas crônicas, até porque, numa aparente frivolidade, ela é muito profunda. A cada frase ela fisga a leitora do jornal – que talvez nem fosse a leitora

de seus livros. São frases do tipo: “fala-se muito sobre a importância dos exercícios  físicos, da alimentação saudável para aumentar a beleza, mas pouco se fala sobre os efeitos que um olhar otimista para a vida pode ter”.

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