Conheça o Peck, em Milão, um dos melhores empórios gourmet do mundo

Chama-se Peck – à primeira vista, o sobrenome de um velho galã de Hollywood. Mas fica em Milão. E, na verdade, o nome vem de um certo Franz Peck, vendedor de salames tcheco que, naquele 1883, vendia embutidos de sua cidade – Praga – naquela vendinha da Via Orefici, no centro da capital econômica da Itália.

Por: Norberto Busto

Chama-se Peck – à primeira vista, o sobrenome de um velho galã de Hollywood. Mas fica em Milão. E, na verdade, vem de um certo Franz Peck, vendedor de salames tcheco que, naquele longínquo 1883, vendia embutidos típicos de sua cidade – Praga – numa vendinha da Via Orefici, no centro da capital econômica da Itália. Em 1912, a loja – já então um armazém de prestígio – foi comprada por um local e se muda para a Via Spadari, onde está até hoje.  E, desde então, foi agregando valor – a ponto de se tornar o mais visitado empório gourmet do mundo. O mais irresistível templo de delícias da Itália. Fomos visitá-lo

A coisa só passou a se firmar e a crescer quando Peck acrescentou carnes curadas a seu menu de delícias, além de aumentar as opções de embutidos finos. Começava a nascer o projeto de uma rotisserie. Em 1890, a Peck já fornecia para a Casa Real italiana e, com esse prestígio, ganhou clientes em todo o país. Em 1912, cansado, Franz – àquela altura Francesco – passou o negócio ao italiano Eliseo Megnaghi. Este mudou o ponto, ampliou a área – e incluiu no empório massas frescas e pratos prontos. Ganharia, aos poucos, a aura atual: nos anos 30, o Peck foi o epicentro de uma autêntica revolução cultural, passando a ser ponto de encontro de políticos, intelectuais e da elite de Milão. Nos anos 70, já ocupava uma área quatro vezes maior. Nesse magnífico território de sabores e aromas, há de tudo que satisfaça os mais variados paladares humanos. Azeites? Uma coleção dos frascos mais desejados do mundo. Embutidos com a marca da melhor salumeria do mundo.

Vinhos? O sub-solo inteiro é só para eles. Só de Château d´Yquem, o melhor e mais caro vinho de sobremesa do mundo, uma vertical completa de safras. Conservas e queijos formam uma seção à parte, com extraordinária diversidade de origens e formatos. Chás e cafés? No restaurante do andar de cima, o Peck Italian Bar, uma parte expressiva das delícias do empório ali vai à mesa, em pratos ou xícaras. É o caso do café mais caro e mais excêntrico do mundo, o indonesiano Kopi Luwak – do qual só se produzem 600 quilos por ano. Sim, aquele mesmo – extraído das fezes da civeta, um pequeno mamífero carnívoro, que vive em palmeiras na Indonésia. O civeta adora comer grãos de café e, por um fenômeno curioso, as enzimas de seu aparelho digestivo transformam aquelas sementes comuns em iguarias disputadíssimas por cafemaníacos, embora venham literalmente do cocô.

No Peck Cafe, o caviar dos cafezinhos custa 15 euros (cerca de 60 reais) a xícara – e não chega a ter um sabor tão extraordinário assim. Mas você vai ter uma boa história para contar na volta.

Ah, se além de um dom para contar histórias você tiver um bom orçamento e quiser trazer a melhor lembrança do Peck que o dinheiro pode comprar, nada melhor que uma porção de trufas brancas da temporada – vendidas a 9 mil euros o quilo.

Peck
www.peck.it