Mesas Campeãs

O que se come e quanto se paga nos menus-degustação dos 10 melhores restaurantes do mundo,  segundo o ranking da revista inglesa Restaurant – considerado o Oscar da gastronomia internacional.

Ok, o Guia Michelin – em seu segundo ano no Brasil – tem um prestígio e tanto. Pela perda de uma estrela na cotação do guia, um chef (Bernard Loiseau) se matou há alguns anos. Mas o ranking da revista Restaurant, renovado todos os anos, é o sonho de consumo de 9 entre 10 restaurantes do mundo. E quanto custa comer nos 10 melhores restaurantes do mundo? Fomos checar.

Por: Celso Arnaldo Araujo


1. Osteria Francescana
– Modena, Itália

mesas_1Não bastasse ser três estrelas Michelin, a Osteria comandada pelo chef Massimo Bottura atingiu o topo do mundo na lista dos 10 mais. Ele tem as 12 mesas mais disputadas do mundo. Cozinha italiana? Claro. Mas não a das cantinas, também é claro. Massimo faz jus ao nome, bem como seus preços. Entre os primeiros pratos, um “arroz cinza e negro com caviar Oscietra (ou Ossietra, originalmente), um dos mais caros e raros. Preço desse acepipe: 90 euros. Entre os principais, faz sucesso a Lagosta com duplo molho – ácido e doce. Mas, para quem quer ter uma visão realmente completa da cozinha de Botturo, há o Festina Lente – nove etapas a 220 euros por cabeça. Pechincha que começa com um tempura com sorbet de salmão e termina com a sobremesa “Yellow is bello”. O que é isso? Pergunte ao Massimo.


2. El Celler de Can Roca – Girona, Espanha

mesas_2O chef Joan Roca e seus irmãos Jordi e Josep dedicam-se tanto ao El Celler que moram no andar superior. Antes deles, seus pais é que cuidavam da casa, aberta em 1967 como modesta casa de pastos espanhóis na costa da Catalunha. O atual segundo lugar no ranking da Restaurant, que foi o primeiro por dois anos, é a evolução avant garde desse negócio de família. Sua cozinha foi descrita pelos jurados da revista como “inteligente, divertida e absolutamente deliciosa”. Exemplos? Azeitonas caramelizadas recheadas
de anchova, sopa fria de cerejas com enguia defumada e sanduíche de pele crocante de porco ibérico e melão. Não fosse a fila de espera de mais de um ano, dir-se-ia que o El Celler é bastante acessível – o menu-degustação deste semestre custa 180 euros, com 15 pequenas entradas e sete pratos – todos em miniporções e apresentações engenhosas, como a do Linguado na brasa com suco de azeitonas verdes, erva-doce, pinhão, bergamota e laranja, um clássico do El Celler.


mesas_33. Eleven adison Park – Nova York, EUA

O melhor restaurante americano pelo ranking da revista inglesa oferece um menu-degustação de sete a nove pratos, preparado pelo chef suíço Damiel Humm, cujas composições variam conforme a disponibilidade de ingredientes. Custa 295 dólares por pessoa – e não se aceitam gorjetas. Eles não anunciam publicamente o menu-degustação da hora – porque pode nem haver um menu. A surpresa faz parte do cardápio – e, a julgar pela fi la de espera nas reservas, ninguém se importa com a falta de informações prévias. Sabem que, entre os clássicos de Humm, está um inesquecível pato assado com mel. Humm…


mesas_44. Central – Lima, Peru

A cozinha peruana está no auge. Em 2016, o Central alcançou um título ainda mais invejável: o de melhor restaurante latino-americano do mundo. O Central conduz seus clientes numa expedição culinária pelo ecossistema peruano do Amazonas à Costa do Pacífico. O chef Virgilio Martinez tira o melhor da selva, do deserto, das montanhas e do mar daquela parte do mundo. O menu-degustação começa nas profundidades do Oceano e vai até quatro mil metros de altura – e desse roteiro são trazidos ingredientes inusitados. O menu mais caro – “Alturas Mater” – custa 398 dólares e inclui itens de nada menos que 17 altitudes da biodiversidade peruana.


mesas_55. Noma – Copenhague, Dinamarca

Já foi o primeiro do mundo, mas continua bem na fita a casa do chef René Redzepi – outra cozinha sazonal, explorando as potencialidades escandinavas. Explosões de sabores e texturas em cada vegetal – até num prosaico pepino, grelhado com ervas de verão. Seu camarão envolto em folhas de alho eurasiano é uma das delícias. O menu-degustação custa 1900 coroas dinamarquesas, o equivalente a 1.050 reais. Não há reservas disponíveis até outubro, mas é preciso correr. René diz que vai fechar a casa em dezembro – e reabri-la mais tarde como uma fazenda urbana.


mesas_66. Mirazur – Menton, França

Primeiro francês da lista, o Mirazur serve na verdade uma cozinha italiana da Riviera francesa – pelas mãos do chef argentino Mauro Colagreco. Ele também lastreia sua comida na sazonalidade da sua horta própria e fresquíssimos frutos do mar. Ostras com tapioca e peras são uma das entradas campeãs, assim como o caviar com feijão verde. Das casas top da lista, o Mirazur tem um dos menus-degustação mais acessíveis. O mais caro, o “Menu 10 anos”, celebrando o tempo de casa, tem 10 pratos e custa 210 euros. O mais em conta, o “Découverte”, sai por apenas 55, só no almoço.



7. Mugaritz
– Errenteria, Espanha

mesas_7Segundo espanhol do ranking, o Mugaritz fica na zona rural do país basco e o chef Andoni Luis Aduriz se especializou numa culinária que combina as tradições da região com as novas técnicas da alta gastronomia. Todos os anos, ele e sua equipe criam cerca de 100 pratos por ano. Essa pesquisa exige o fechamento da casa durante quatro meses por ano. O menu-degustação custa 185 euros e consiste de 25 etapas, das entradas à sobremesa. Uma experiência sensorial com duração de cerca de três horas.


mesas_88. Narisawa – Tóquio, Japão

Primeiro japonês e primeiro asiático da lista, é o único que leva o nome do chef – Yoshihiro Narisawa, que estagiou com Bocuse e Robuchon na França. E, a exemplo dos líderes da lista da Restaurant, valoriza
a cozinha de ingredientes frescos da região. Nada é comprado em mercados comerciais. A cozinha segue a cultura Satoyama, que só utiliza ingredientes a partir da natureza. Yoshihiro alia técnicas francesas à culinária japonesa. O menu-degustação custa 20 mil ienes (R$ 650) no almoço e 25 mil (R$ 810) no jantar.


mesas_99. Steirereck – Viena, Áustria

À primeira vista, parece uma daquelas casas tradicionais, comandada pela mesma família há gerações. Mas, sob a batuta do chef Heinz Reitbauer, modernizou-se e se consagrou mundialmente com uma cozinha altamente técnica inspirada na reverência a ingredientes locais. O peixe da casa, por exemplo, é cozido sobre cera de abelha. Mas também se encontra ali um singelo Wiener Schnitzel – feito de um jeito que só um austríaco faria. Daí o sucesso infernal da casa, com fi las todos os dias. O menu-degustação de seis tempos custa 142 euros. O de sete tempos, 152. Para os amantes de carne, o Bife Alpino é imperdível.


mesas_1010. Asador Etxebarri – Axpe, Espanha

O Asador Etxebarri é o que o nome sugere: uma casa de barbecue, na zona rural do país basco. O chef Victor Arguinzoniz é nativo da região e prepara na grelha à perfeição um Chorizo, “feito em casa”, e Camarões gigantes de Palamós (região de Gironda conhecida por seus megacrustáceos). O acompanhamento pode ser, por exemplo, ovos mexidos com cogumelos. O Asador tem também um menu-degustação que vai de um sanduíche de chorizo de entrada a um sorvete de leite dos deuses, incluindo os Camarões no meio. Tudo por 135 euros.