O fenômeno Montblanc

Marca é sinônimo de requinte, poder e status há mais de 100 anos. Seu nome, inspirado no pico Mont Blanc, o mais alto da Europa ocidental, localizado na fronteira entre França, Itália e Suíça, revela a imponência e a durabilidade da grife de canetas de luxo, sem jamais abrir mão de um estilo elegante que sobrevive à ação do tempo. “A Montblanc une o moderno, o contemporâneo e a tradição. São peças que você pode usar a vida inteira, pois não se resumem a uma tendência de moda”, explica a diretora de Marketing no Brasil, Adriana Tombolatto.

A chegada ao país, no entanto, mexeu – mesmo que sutilmente – com tamanha tradição. Desde que se instalou na rua Oscar Freire em São Paulo, em 1995, primeiro endereço da marca no país, a Montblanc parece ter se ajustado pouco a pouco ao jeito brasileiro de consumir. A primeira mudança foi em relação à condição de pagamento. As sete boutiques brasileiras são as únicas do mundo, num universo de mais de 330 lojas, que oferecem o parcelamento na hora do pagamento das peças, que podem custar até 220 mil euros.
As mudanças não param por aí. Embora o treinamento dos funcionários seja orientado pelos padrões estabelecidos na sede na Alemanha, aqui a Montblanc ganhou um toque mais pessoal. “Em qualquer loja o cliente tem a opção pelo atendimento em uma sala reservada, mas, por uma característica nacional mais acolhedora, aqui os atendimentos são mais prolongados”, revela Adriana.

Escrevendo história no Brasil
Tantas e pequenas transformações têm uma explicação: o Brasil se tornou um importante mercado para a Montblanc. Nos quatro anos seguintes à abertura da loja na Oscar Freire, a boutique foi líder de vendas em todo o mundo e, desde então, tem figurado entre as dez primeiras posições. Mesmo em meio à crise econômica mundial em 2008, a Montblanc inaugurou três lojas — no Rio, em Brasília e no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Somese a isso o fato de que desde fevereiro deste ano as filiais brasileiras estão passando por um alinhamento de preços com a tabela internacional. “Conseguimos negociar com a matriz na Alemanha, começando pelas canetas e artigos de couro, até relógios e edições limitadas”, comemora Adriana. “É uma aposta da marca internacional no nosso mercado”. Não por acaso o país foi escolhido para receber a primeira flagship (ou loja conceito) da América Latina, localizada no Shopping Cidade Jardim na capital paulistana. As mudanças na Montblanc podem parecer lentas para uma cultura dinâmica, como a brasileira, mas a grife já provou que não está parada no tempo. Por muitas décadas ligada ao público masculino maduro – que cria uma identificação com suas canetas imponentes – há cerca de cinco anos a grife tenta mudar um pouco essa imagem e passou a oferecer uma completa linha feminina, que vai de charmosas canetas até bolsas, num total de mais de 300 itens. Além disso, oferece peças com uma proposta mais arrojada, como a linha Starwalker, voltada ao público mais jovem. As canetas, entretanto, continuam sendo o core business da Montblanc. “Nossa primeira caneta, a Meisterstück, ainda é símbolo de poder, status e estilo. Um objeto de desejo dos nossos clientes”, afirma a diretora de marketing. Para o alívio dos apreciadores do estilo Montblanc de ser, algumas coisas nunca mudam.